Nesta terça-feira, 7 de julho, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realiza uma cerimônia especial para conceder um diploma póstumo a Stuart Angel Jones, ex-integrante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), que foi sequestrado e assassinado durante a ditadura militar brasileira. O evento está agendado para as 16h30 no Salão Dourado da universidade, localizada na Praia Vermelha.
Stuart, que tinha apenas 25 anos na época de sua morte em 1971, não pôde concluir seu curso de Economia devido a sua captura por agentes do regime militar, que buscavam informações sobre o paradeiro de Carlos Lamarca, um ex-capitão do Exército e membro do MR-8. O estudante foi levado para a Base Aérea do Galeão, onde foi submetido a torturas brutais.
Segundo relatos de testemunhas, durante a sua detenção, Stuart foi amarrado a um jipe com o motor em funcionamento, sendo forçado a inalar gás carbônico até a morte. A brutalidade de sua morte e o subsequente desaparecimento do corpo desencadearam uma busca incansável por justiça por parte de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que se tornou uma figura emblemática na denúncia dos abusos cometidos pelo regime militar, levando o caso ao conhecimento internacional.
A jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, expressou sua gratidão pela lembrança e reconhecimento póstumo, ressaltando que, como muitos estudantes daquela época obscura, Stuart teve seus sonhos e futuro tragicamente interrompidos. “Ele nunca pôde finalizar seus estudos”, lamentou Hildegard, ao compartilhar a importância do momento com seus seguidores.
A concessão do diploma póstumo a Stuart Angel é mais do que um reconhecimento acadêmico; representa a luta pela memória e a justiça em um período marcado por repressão e violação dos direitos humanos. Além disso, essa iniciativa se alinha a um movimento mais amplo no Brasil, que busca reparar as injustiças do passado e oferecer reconhecimento às vítimas da ditadura militar.
Enquanto a UFRJ se prepara para a cerimônia, a lembrança de Stuart e de outros que perderam suas vidas na luta por liberdade e justiça continua a ser uma fonte de inspiração para as novas gerações e uma chamada à ação para que nunca mais se repitam os erros do passado.




