O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia anunciou, durante uma coletiva realizada nesta terça-feira (21/7), que está em processo de seleção de um novo embaixador para o Brasil. A ausência de um representante diplomático no país já se estende por mais de um ano, um reflexo de tensões diplomáticas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Volodymyr Zelensky.

O porta-voz da chancelaria ucraniana, Heorhii Tykhyi, comentou ao Metrópoles que a Ucrânia busca um “candidato forte” para o cargo. Segundo ele, o Brasil, sendo uma nação de grande relevância e influência na região, merece um embaixador que esteja à altura da importância das relações bilaterais. “Estamos levando o tempo necessário para essa escolha, mas acreditamos que isso poderá ser resolvido em breve”, afirmou Tykhyi.

A embaixada ucraniana no Brasil está sob a administração de um encarregado de negócios desde junho de 2025, quando o embaixador anterior, Andrii Melnyk, se transferiu para a Organização das Nações Unidas (ONU). Desde então, Kiev optou por não nomear um novo embaixador, uma decisão que pode ser vista como um sinal de distanciamento nas relações diplomáticas entre os dois países.

Fontes diplomáticas indicam que a escolha de não indicar um novo embaixador está relacionada a desavenças entre Lula e Zelensky, que se tornaram públicas ao longo dos últimos anos. A tensão entre os líderes se intensificou, especialmente em função do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que teve início em fevereiro de 2022, quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a invasão da Ucrânia.

Os comentários de Lula sobre o conflito geraram críticas em Kiev. Em declarações passadas, o presidente brasileiro chegou a sugerir que Zelensky compartilhava a responsabilidade pela guerra, o que foi mal recebido em solo ucraniano. Apesar disso, Lula manteve relações estreitas com Putin, tendo visitado a Rússia em maio de 2025, o que ilustra sua postura diplomática em relação ao Kremlin.

A aproximação entre o Brasil e a Rússia tem raízes que remontam aos primeiros mandatos de Lula e se consolidou com a formação dos BRICS, um agrupamento de nações emergentes que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. As relações entre Brasil e Ucrânia, no entanto, foram revisitadas após a reunião entre Lula e Zelensky, onde discutiram diretamente sobre a guerra e abordaram a possibilidade de o presidente brasileiro atuar como mediador nas negociações de paz entre os dois países.

A expectativa é que a nomeação de um novo embaixador possa trazer um novo impulso nas relações bilaterais, proporcionando um espaço mais favorável para o diálogo e a cooperação.