O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu início a uma investigação envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a respeito de possíveis abusos de poder econômico e uso inadequado de meios de comunicação durante o Carnaval deste ano no Rio de Janeiro.
A ação foi movida pelo partido Novo e centra-se no desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado em 15 de fevereiro, que marcou a abertura do Grupo Especial de Escolas de Samba. O enredo da escola foi uma homenagem à trajetória de Lula, que, na época, era pré-candidato à reeleição.
O Novo argumenta que a escola de samba recebeu um total de R$ 9,65 milhões em recursos públicos provenientes das prefeituras de Niterói e do Rio de Janeiro, além do governo do estado e da Embratur. O partido alega que esses repasses ocorreram depois que o enredo foi anunciado publicamente em julho de 2025.
Em uma decisão proferida na última sexta-feira, o corregedor-geral do TSE, ministro Antonio Carlos Ferreira, indicou que os elementos apresentados na ação podem, em uma análise preliminar, constituir abuso de poder econômico e uso indevido de comunicação. O ministro ressaltou que há fundamentos suficientes para que a investigação prossiga e que provas sejam coletadas.
“A petição inicial apresenta fatos específicos, evidencia o proveito eleitoral que poderia ter sido obtido pelos investigados e está acompanhada de documentos que incluem os instrumentos de repasse, comprovantes de pagamento, publicações oficiais e informações de tribunais de contas”, afirmou Ferreira.
Com essa decisão, Lula e Alckmin serão notificados e terão um prazo de cinco dias para apresentar sua defesa. O cenário político e os desdobramentos desse caso prometem agitar o ambiente eleitoral, especialmente com a aproximação das eleições.
Contexto do Desfile da Acadêmicos de Niterói
A Acadêmicos de Niterói adotou como tema do seu samba-enredo uma homenagem a Lula, intitulada “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Durante a apresentação, o samba fez referências diretas ao Partido dos Trabalhadores, incluindo o famoso grito de militância “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, além de mencionar o número de urna do partido em dois momentos distintos.
A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, estava programada para participar do desfile, mas acabou não comparecendo e foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Embora Janja tenha passado pela Marquês de Sapucaí, ela retornou rapidamente ao camarote onde Lula assistia ao evento. Apesar da grandiosidade do espetáculo, a Acadêmicos de Niterói não obteve a classificação esperada e terminou rebaixada após o Carnaval.




