O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está empenhado em organizar um novo encontro com Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, visando a retomada das discussões sobre o programa nuclear do país asiático. As informações foram publicadas pelo The Wall Street Journal na última terça-feira, 18 de agosto.

De acordo com a reportagem, Trump planeja que o encontro ocorra de forma presencial em novembro, durante sua viagem oficial à China para participar da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). A expectativa é que o presidente norte-americano tenha orientado sua equipe a trabalhar na viabilização desse encontro, embora, até o momento, não haja uma reunião confirmada entre os dois líderes.

As tentativas de diálogo entre Trump e Kim não são novas; os dois já se encontraram três vezes entre 2018 e 2019. O primeiro encontro ocorreu em Singapura em junho de 2018, seguido por uma reunião em Hanói, no Vietnã, em fevereiro de 2019, e na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, em junho do mesmo ano.

No dia 17 de agosto, Trump declarou que Kim havia respondido suas recentes iniciativas para uma aproximação. No entanto, não foram fornecidos detalhes sobre como essa resposta foi transmitida nem seu conteúdo, e não há confirmação pública de uma conversa telefônica entre os dois líderes.

A declaração de Trump ocorreu logo após a decisão de reduzir significativamente a participação dos Estados Unidos nos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. O presidente justificou essa mudança, afirmando ter uma “muito boa relação” com Kim, e destacou que a Coreia do Norte adotou uma postura respeitosa em relação aos Estados Unidos.

A tentativa de reanimação das negociações nucleares se dá em um contexto em que a Coreia do Norte tem ampliado seu arsenal nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos, além de estreitar laços militares com a Rússia. Por outro lado, Pyongyang não demonstrou intenção clara de abandonar seu arsenal nuclear, considerando essas armas essenciais para a segurança do país e descartando as exigências internacionais por uma desnuclearização total.

As negociações entre Trump e Kim durante o primeiro mandato do presidente dos EUA não resultaram em um acordo sobre a desnuclearização. O encontro em Hanói, por exemplo, terminou sem um consenso, levando à interrupção do diálogo entre Washington e Pyongyang. Assim, uma nova reunião representaria uma tentativa de reabrir os caminhos da diplomacia nuclear entre as nações, embora ainda permaneçam incertezas sobre as condições para um possível entendimento e se Kim estaria disposto a discutir a redução de seu arsenal.