Prorrogação da Prisão de Senival Moura

A Justiça de São Paulo decidiu prorrogar por mais 30 dias a prisão temporária do vereador Senival Moura, do Partido dos Trabalhadores (PT). O parlamentar é investigado por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e por envolvimento em atividades de lavagem de dinheiro através da Transunião, uma empresa que obteve a concessão para operar 50 linhas de ônibus na cidade.

Senival Moura foi detido no final de junho em sua residência localizada no Tatuapé. A defesa do vereador manifestou sua discordância em relação à prorrogação da prisão, afirmando que tomará medidas judiciais para solicitar uma revisão da decisão. Em termos de processos anteriores, o Judiciário já havia negado os pedidos da defesa para a revogação da prisão e para a sua conversão em prisão domiciliar.

Contexto da Investigação

O vereador é um dos alvos da operação batizada de Última Parada, que está sendo conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em conjunto com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Em seu sexto mandato na Câmara Municipal, Moura é suspeito de ser o “dono oculto” da Transunião. Durante seu período de prisão, ele exercia a função de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidia a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na câmara paulistana.

A investigação apura se sua posição na comissão lhe conferia poder de fiscalização e regulamentação sobre o setor onde a Transunião opera. Documentos e mensagens trocadas durante as investigações sugerem que Senival Moura tinha um papel central na estrutura de lavagem de dinheiro, sendo referido por codinomes como “presidente”, “véio” e “vereador”.

Operação Última Parada

A Operação Última Parada teve início em 2020, após a morte do ex-presidente da Transunião, Adauto Soares. A partir de investigações relacionadas à morte dele, as autoridades descobriram indícios que ligam a empresa ao esquema do PCC. No ano de 2025, a Transunião teve receitas superiores a R$ 300 milhões provenientes do sistema de transporte da capital paulista.

Nota da Defesa

A defesa do vereador enfatizou que a prorrogação da prisão não representa um juízo de culpa. Eles alegam que a decisão judicial reflete a necessidade de diligências investigativas ainda pendentes. A defesa também destacou que Moura sempre se dispôs a colaborar com as investigações e que, ao longo de sua trajetória política de mais de duas décadas, nunca havia enfrentado problemas judiciais.

Além disso, os advogados de Moura afirmaram que ele teria comparecido voluntariamente para prestar esclarecimentos se tivesse sido chamado antes da prisão. Eles expressam confiança de que, ao longo do processo, será provada a origem legítima de seu patrimônio e a ausência de vínculos com atividades criminosas.

A defesa reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça, ao mesmo tempo em que buscará, por vias legais, a libertação do vereador, argumentando que os fundamentos para a prisão temporária não são justificáveis.