Gabriel Dias de Oliveira, também conhecido como 'Índio do Lixão', foi transferido de Bangu 1 para uma unidade de isolamento enquanto aguarda sua nova transferência para um presídio federal. A mudança ocorre após sua saída do sistema penitenciário federal em dezembro do ano anterior.
Índio foi preso em setembro de 2022 na mesma operação que resultou na detenção do ex-deputado estadual TH Joias. De acordo com a Polícia Federal, ele é reconhecido como um dos líderes do Comando Vermelho (CV) e atuava como um importante elo entre a facção criminosa e o ex-parlamentar. O traficante ocupa a posição de 'tesoureiro' da organização.
Um relatório do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) aponta que Índio é um dos principais cúmplices de Luciano Martiniano da Silva, conhecido como Pezão, que é considerado uma das principais lideranças do Comando Vermelho e está foragido há 15 anos.
Após sua reintegração ao sistema prisional fluminense, Índio foi inicialmente alocado em uma unidade destinada a presidiários sem vínculos com facções criminosas. No entanto, entre janeiro e maio deste ano, ele foi transferido três vezes entre diferentes presídios do estado, em alguns casos com intervalos extremamente curtos. Antes de retornar ao sistema estadual, ele estava na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.
O Ministério Público levantou questões quanto à frequência e ao padrão das transferências, sugerindo possíveis irregularidades envolvendo os policiais penais que supervisionam o sistema penitenciário. A unidade para a qual Índio será transferido permanece em sigilo, uma medida adotada por razões de segurança e para evitar potenciais retaliações contra a operação.
Além disso, Índio está sob investigação por envolvimento em tráfico internacional de armas. Relatórios indicam que ele contava com um grupo de policiais militares designados para sua segurança pessoal e apoio logístico da facção criminosa. A esposa de Índio, Fernanda Ferreira Castro, foi nomeada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por indicação de TH Joias, o que fortaleceu os laços da família do traficante com a cúpula do CV.
Áudios obtidos pela Polícia Federal revelam a proximidade entre TH Joias e Índio. Em uma gravação de julho de 2024, TH responde a um pedido de Índio, mostrando claramente a relação de subordinação: “Seu pedido é uma ordem. Eu trabalho pra você.” Além disso, a PF investigou que, após assumir seu cargo na Alerj, TH manteve reuniões com membros da facção e intercedeu em favor de seus interesses. Em uma conversa, ele solicitou que um pagamento via Pix fosse enviado a Pezão, que é considerado o atual líder do Comando Vermelho no Complexo do Alemão.




