No contexto da corrida eleitoral em São Paulo, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, expressou críticas contundentes à administração da segurança pública sob o comando do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Em entrevista ao programa "Roda Viva" da TV Cultura, Haddad afirmou que o atual governador "perdeu o controle" sobre a segurança no estado, mencionando uma série de incidentes que refletem essa falha.

Haddad chamou a atenção para casos recentes de envolvimento policial em crimes graves, incluindo suspeitas de delitos sexuais e roubo de cargas. Segundo ele, a resposta das autoridades competentes tem sido inadequada, evidenciando uma falta de ação eficaz. "Sinceramente, o Tarcísio perdeu o comando da atuação na segurança pública", declarou o candidato, sublinhando a gravidade da situação.

Atualmente, São Paulo abriga 180 unidades prisionais que abrigam cerca de 230.590 detentos, com dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) indicando um aumento de 4,05% na população carcerária ao longo do ano. Haddad também questionou as promessas feitas por Tarcísio às polícias Civil e Militar e criticou a defasagem tecnológica que, segundo ele, tem comprometido a eficácia das operações de segurança.

Em resposta aos desafios enfrentados, Haddad propôs a criação de um gabinete antifacção, que teria a responsabilidade de coordenar esforços entre diversas instituições, como as polícias Civil e Militar, além da Polícia Federal e outros órgãos relevantes. "Hoje, a cooperação não é a regra, a cooperação é a exceção. Se nós integrarmos as forças, organizando o Estado para combater o crime organizado, essa situação pode mudar", afirmou.

O candidato mencionou a Operação Carbono Oculto como um exemplo positivo de integração entre diferentes forças de segurança e propôs que essa colaboração se torne uma prática comum. Ele também enfatizou a importância do compartilhamento de informações financeiras entre órgãos como a Receita Federal e o Coaf para rastrear movimentações ligadas ao crime organizado.

Abordando a questão do Primeiro Comando da Capital (PCC), Haddad ressaltou a necessidade de uma estratégia que considere as operações da facção não apenas em São Paulo, mas também em outros estados e países. "Um dos erros do governador atual é pensar que o crime se limita a nosso território. Ele não percebe as conexões do PCC além das fronteiras", criticou.

Durante a entrevista, Haddad expressou apoio à Proposta de Emenda Constitucional 18 de 2025, que visa fortalecer a coordenação da segurança pública em nível nacional. "A impunidade é o principal problema na segurança pública do Brasil e a situação em São Paulo é alarmante", disse ele, apontando para os altos índices de roubos e sequestros no estado.

Além disso, o candidato apontou a desorganização na cadeia de comando da Polícia Militar como um resultado da gestão atual, referindo-se a aposentadorias de oficiais experientes como práticas de "compadrio". Haddad destacou a importância de reconstruir essa estrutura, embora reconheça que esse processo pode demandar tempo.

Por fim, Haddad enfatizou a necessidade de fortalecer o controle interno, incluindo a Controladoria-Geral do Estado e as corregedorias, para prevenir a infiltração do crime organizado na administração pública. "A falta de sistemas internos de controle pode levar à deterioração das próprias corporações", concluiu, sugerindo que São Paulo necessita de uma reorganização abrangente para recuperar a governança na segurança pública.