Desaparecimento de Itens Históricos Levanta Suspeitas em Minas Gerais
A Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) decidiu tomar medidas drásticas após a constatação do desaparecimento de uma parte significativa do acervo do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte. A denúncia será encaminhada à Polícia Federal (PF) e foi anunciada no último sábado, após uma fiscalização realizada por parlamentares que revelou a ausência de vários itens históricos da antiga residência oficial dos governadores.
A deputada Lohanna França (PV), que faz parte da Comissão de Cultura, expressou preocupação com a situação e ressaltou a necessidade de uma investigação detalhada. "Precisamos entender onde está cada item do acervo para que possamos determinar quem será responsabilizado", afirmou a parlamentar, destacando a importância do patrimônio cultural mineiro.
Itens Desaparecidos e Ações de Fiscalização
No dia 2 de julho, durante a fiscalização, os deputados notaram que muitos bens, incluindo utensílios, tapetes, mais de 40 quadros e móveis que pertenciam ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, não estavam mais presentes no palácio. Entre os itens desaparecidos estão também obras de arte que deveriam compor uma sala de cinema da residência oficial.
O deputado Leleco Pimentel (PT), membro da comissão, protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e anunciou que levaria o caso ao conhecimento do Ministério Público. A ação foi motivada por declarações do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, que mencionou, em uma sessão da ALMG, que parte do acervo estaria armazenada pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), apresentando danos significativos, como craquelés.
Responsabilidade e Gestão do Patrimônio Público
Leleco Pimentel responsabilizou a gestão anterior pela retirada dos bens e enfatizou a necessidade de localizar integralmente o patrimônio público. Desde que o governador Romeu Zema (Novo) anunciou, em 2019, que o Palácio das Mangabeiras não seria mais residência oficial, o local passou a ser utilizado para eventos e exposições, com o governo argumentando que a mudança reduziria custos e acabaria com privilégios.
Posicionamento do Governo de Minas Gerais
Em resposta à polêmica, o governo mineiro divulgou uma nota afirmando que todos os bens do Palácio das Mangabeiras foram corretamente inventariados durante a mudança de função do imóvel. Segundo a administração, os itens foram distribuídos a órgãos e entidades responsáveis pela sua guarda e conservação, conforme os procedimentos administrativos estabelecidos. A nota também destaca que os bens permanecem identificados e estão sob controle patrimonial do estado.
Apesar das explicações do governo, a reportagem do Metrópoles tentou obter informações sobre quais itens estão sob a custódia dos órgãos mencionados e se existe um inventário detalhado sobre a saída desses bens, mas não obteve respostas específicas. A Polícia Federal também foi contatada, mas não se manifestou até o momento.




