Um Legado de Fé e Superação
Na cidade de Passos, localizada no sul de Minas Gerais, uma história extraordinária emerge à medida que se aproxima o centenário da morte de Santo Aníbal Maria di Francia, fundador da Congregação dos Rogacionistas. Gleida Danese, uma enfermeira de 50 anos, é a protagonista dessa trajetória que liga sua vida ao Vaticano, pois foi em Passos que ocorreu o primeiro milagre oficialmente reconhecido pela Igreja, fundamental para a beatificação de Aníbal.
A frase que resume sua experiência é clara e poderosa: "Sou um milagre vivo". Essa reflexão remonta ao ano de 1985, quando, com apenas nove anos, Gleida enfrentou a Síndrome de Guillain-Barré, uma condição autoimune rara que ataca os nervos periféricos, resultando em fraqueza muscular. Ela recorda que, apesar de sua tenra idade, sua formação religiosa começou a se solidificar sob a influência de sua avó, Maria Aparecida Amparado Danese, uma católica fervorosa e devota de Santo Aníbal.
A Batalha pela Vida
Os desafios enfrentados por Gleida foram imensos. Durante sua internação na Santa Casa de Misericórdia de Passos, ela sofreu múltiplas paradas cardíacas e passou mais de um mês em coma. Sua condição se agravou a ponto de os médicos considerarem seu quadro irreversível. Enquanto isso, sua avó não cessou suas orações, pedindo a intercessão de Santo Aníbal para a recuperação da neta.
Em um momento crítico, após uma queda de energia no hospital, Gleida apresentou uma melhora milagrosa, recuperando sinais vitais sem explicação médica. "Hoje, sou curada de Guillain-Barré sem sequela alguma. Sou um milagre vivo de Santo Aníbal", celebra Gleida, que só compreendeu a magnitude de sua recuperação anos depois, quando a Igreja iniciou o processo de reconhecimento do milagre.
A Importância do Reconhecimento
O processo canônico que reconheceu o milagre de Gleida envolveu ampla documentação e o depoimento de mais de 30 testemunhas, incluindo profissionais de saúde. O reitor do Santuário Santo Aníbal, padre Silas de Oliveira, destacou que a recuperação de Gleida foi atribuída à intercessão de Santo Aníbal, um passo crucial em seu processo de beatificação.
Após o reconhecimento do milagre, a antiga Capela do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos se tornou um importante ponto de peregrinação, atraindo fiéis em busca de oração e agradecimento. Gleida, por sua vez, teve a oportunidade de viajar a Roma, onde se encontrou com o Papa João Paulo II, uma experiência que considera um dos maiores privilégios de sua vida.
Transformação Pessoal e Profissional
A cura que Gleida experimentou não apenas mudou sua vida pessoal, mas também influenciou sua carreira como enfermeira. "Ser enfermeira é praticar diariamente o cuidado humanizado que recebi enquanto estive doente", afirma. Hoje, ela se dedica a transmitir a importância do cuidado e da fé no processo de cura, seja no atendimento a pacientes, na gestão de saúde ou como docente.
A conexão de Gleida com Passos permanece forte, mesmo morando em Alcobaça, na Bahia. A cidade sempre ocupará um lugar especial em seu coração, simbolizando sua jornada de fé e superação.




