O Sistema Cantareira, vital para o abastecimento de água da Grande São Paulo, apresenta uma situação alarmante neste início de julho. Atualmente, o sistema opera na faixa de alerta, com uma redução de aproximadamente 63 bilhões de litros de água em relação ao mesmo período do ano passado. Essa quantidade equivale ao que o maior reservatório da região capta em um mês, levando a um cenário de preocupação para os moradores da capital paulista.
A vazão do Cantareira também está abaixo da média histórica. Até o dia 9 de julho, o sistema recebia apenas 17 mil litros de água por segundo, comparados aos 26,6 mil litros que normalmente seriam captados nessa época do ano. Este déficit hídrico é evidenciado pelo Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), que classifica a situação do Cantareira entre fraca e moderada.
Embora junho tenha registrado um volume de chuvas 193% superior à média histórica, a quantidade total foi insuficiente para melhorar significativamente a vazão, já que se trata de um período de estiagem. As expectativas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que, se as chuvas continuarem dentro da média, o Cantareira pode terminar setembro com 36% de sua capacidade e dezembro com 45%. Essa situação, embora melhor do que a de 2025, quando o sistema estava em apenas 20,2% de sua capacidade, ainda traz incertezas.
Num cenário crítico, com a possibilidade de um fenômeno de El Niño afetando o clima nos próximos meses, o único alívio é que o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) está em uma condição mais favorável do que em julho de 2025. Com um total de 1 trilhão de litros, os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo estão 28 bilhões de litros acima do nível de julho de 2025. No entanto, é importante ressaltar que os outros reservatórios, ao suprirem o Cantareira, estão sob pressão, indicando um possível estresse hídrico.
Em resposta a esta crise, o Governo do Estado de São Paulo implementou uma série de medidas estratégicas visando a segurança hídrica. Com um investimento de mais de R$ 25 bilhões, o plano inclui ações de monitoramento hidrológico, prevenção de enchentes, recuperação de rios e modernização do sistema de monitoramento hidrometeorológico. Segundo o governo, a nova curva de contingência orienta a operação do SIM, estabelecendo uma projeção de captação média de 72,4 m³/s, embora atualmente a vazão esteja inferior a esse valor.
Além disso, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que os níveis de captação nos mananciais estão dentro dos limites estabelecidos, garantindo a segurança do abastecimento mesmo diante de variações climáticas. O governo ressalta ainda que as previsões meteorológicas não indicam chuvas abaixo da média para os próximos meses, o que traz um pouco de esperança em um cenário desafiador.




