Belo Horizonte – O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, manifestou sua insatisfação com a escolha do ex-aliado Marcelo Aro de se lançar como candidato ao Executivo estadual, abandonando o projeto de reeleição que estava sendo articulado. Aro, que pertence ao partido Progressistas (PP), tomou essa decisão após se reunir com Simões na manhã desta quinta-feira, 30 de julho, poucos dias após o Republicanos optar por não lançar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao governo.
Durante as conversações, Simões pretendia oferecer a Aro uma candidatura ao Senado em sua chapa, mas o ex-secretário já estava buscando apoio junto às direções nacionais do Republicanos, da federação União Progressistas e do Partido Liberal, para viabilizar sua própria campanha ao governo. Essa mudança de rumo teve origem na insatisfação de Aro com a candidatura à reeleição de Carlos Viana, também do PSD, na mesma chapa.
“A decepção é um sentimento constante na política, especialmente quando lidamos com pessoas de diversas origens. No caso de Aro, que foi meu aluno e teve a oportunidade de atuar no governo por quatro anos, essa frustração é ainda maior, pois ele foi acolhido em nosso projeto e ocupou cargos significativos como na Casa Civil e na Secretaria de Governo. Agora, ele decidiu se afastar”, destacou Simões sobre a atual situação com Aro.
Vale ressaltar que muitos membros do alto escalão do governo de Simões têm laços estreitos com Marcelo Aro. O secretário do governo, Castellar Guimarães Neto, que faz parte do grupo denominado “Família Aro”, já começou a se despedir de outros servidores. A expectativa é de que, nos próximos dias, cerca de 500 funcionários sejam demitidos de seus cargos devido a esta mudança política.
Simões também mencionou que Aro indicou que sua decisão não é definitiva e que, caso Cleitinho Azevedo retome sua candidatura ao governo, ele poderia reconsiderar seu rompimento. “É preocupante perceber que Minas Gerais corre riscos quando as pessoas buscam poder a qualquer custo”, criticou o governador.
A estratégia que está sendo negociada, em grande parte em Brasília, visa reaproximar o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, da família Bolsonaro. Recentemente, Nogueira anunciou que a federação adotará uma postura neutra em relação à presidência da República, o que abriu espaço para que o PL trabalhe na reconstrução de suas relações, além de apoiar a candidatura de Aro em Minas.




