Os rodoviários do Rio de Janeiro optaram por continuar a greve nesta terça-feira, 30 de junho, após uma assembleia marcada por divergências e tumultos no Centro da cidade. A decisão ocorreu após uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), que não resultou em consenso entre os representantes dos trabalhadores e das empresas de ônibus.

Durante a audiência, o tribunal, junto ao Ministério Público do Trabalho, sugeriu a suspensão da greve até que novas negociações fossem realizadas. A proposta incluía a garantia de que os trabalhadores não teriam descontos pelos dias parados, além de pagamento relativo ao intervalo intrajornada no dia da paralisação. No entanto, a sugestão foi rejeitada pela categoria.

A princípio, uma votação indicou um possível retorno ao trabalho na quarta-feira, 1º de julho, mas uma nova votação levou à decisão de continuar com a greve. Essa mudança provocou grande revolta entre os participantes da assembleia, resultando em arremessos de ovos e tensão entre os rodoviários.

Após os tumultos, atos de vandalismo foram relatados na região central, onde mais de 15 ônibus foram depredados. Funcionários que continuaram a trabalhar também enfrentaram agressões. Em diversos veículos, passageiros tiveram que desembarcar antes que danos como retrovisores quebrados ocorressem. A Polícia Militar informou que prendeu três indivíduos no momento em que tentavam tomar as chaves de um ônibus na Avenida Presidente Vargas.

Reivindicações dos Rodoviários

A categoria continua a exigir um reajuste salarial de 17%, além de pisos salariais de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e R$ 5 mil para condutores de BRT. Os rodoviários também solicitaram um aumento no vale-alimentação para R$ 1 mil e a adoção da jornada de trabalho na escala 5x2.

Na audiência, a proposta do Rio Ônibus foi de um reajuste de apenas 4,39%, enquanto o sindicato dos trabalhadores sugeriu um aumento em duas etapas: 8% imediato e mais 8,3% em novembro, proposta que foi rejeitada pelos empresários.

Diante do impasse, uma nova audiência foi remarcada para a quarta-feira, 1º de julho, às 11h, após o pedido do Sindicato dos Trabalhadores, que alegou que a categoria não aceitaria suspender a greve sem uma proposta satisfatória.

Operação do Transporte Público

A greve foi autorizada por uma decisão liminar do TRT-RJ, que estabeleceu que pelo menos 50% da frota de ônibus deveria circular em cada linha durante a paralisação. O descumprimento dessa determinação pode resultar em multa de R$ 50 mil. Segundo o Rio Ônibus, aproximadamente 1,4 mil veículos estavam em operação, número abaixo do mínimo exigido.

Para minimizar os efeitos da greve, a Prefeitura do Rio recomendou que a população utilizasse metrôs, trens e barcas para suas deslocações. A concessionária TrensRJ anunciou que reforçou a operação com 30 viagens extras e aumentou as equipes de atendimento e segurança. Já a MOBI-Rio informou que a frota do BRT cresceu em 26% comparado à operação do dia anterior.