Um jovem que ficou afastado das aulas no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) Vasco dos Reis, em Goiânia, finalmente retornará à escola. A situação do adolescente, que teve sua matrícula negada, causou preocupação em sua família e gerou um longo processo judicial.

Gislene Ferreira, mãe do estudante, revelou que seu filho não frequentou as aulas durante meses e foi acompanhado por profissionais de terapia e psicopedagogia fora do ambiente escolar. O afastamento fez com que ele se sentisse excluído, uma vez que estava distante das interações e atividades escolares.

A decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) na última terça-feira (11) permitiu que o adolescente fosse reintegrado ao colégio. Gislene formalizou a matrícula do filho e ele deve retornar às aulas na próxima segunda-feira (17).

A decisão do tribunal veio após a análise de um recurso apresentado pela família, que argumentou que a escola não havia explorado todas as opções de inclusão antes de tomar a drástica medida de transferir o estudante. O adolescente possui diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).

Embora a retomada das aulas seja uma boa notícia, Gislene expressou preocupação com o impacto do tempo afastado nas habilidades acadêmicas do filho. "Ele perdeu uma parte significativa do ano letivo, e temo que isso possa afetar seu aprendizado e adaptação ao conteúdo escolar", comentou.

Gislene optou por não matricular o filho em outra escola durante o processo judicial, temendo que isso prejudicasse o andamento do caso. "Assinar uma transferência seria abrir mão do que estamos lutando. O Judiciário não garantiu o direito dele de estudar até o julgamento", disse.

O processo para garantir o retorno do estudante levou cerca de nove meses. Durante esse tempo, Gislene enfrentou desafios adicionais, incluindo a necessidade de deixar seu emprego para cuidar do filho, que não contava com uma rede de apoio adequada.

A mãe considera a decisão judicial uma vitória, mas não hesitou em criticar as autoridades que, segundo ela, falharam em fornecer o suporte necessário ao adolescente. "A inclusão é um direito, não um favor. Não podemos aceitar a negligência", enfatizou.

Além de lutar pelos direitos de seu filho, Gislene se comprometeu a defender a inclusão de outros alunos com necessidades especiais. "Estou aqui por todas as crianças que precisam de apoio verdadeiro e que são negligenciadas pelo sistema educacional", concluiu.

A equipe do Mais Goiás tentou contato com o Comando de Ensino da Polícia Militar de Goiás, responsável pela gestão do colégio, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para quaisquer comentários.