A cidade de São Paulo, a mais populosa do Brasil, enfrenta um grave problema de segurança, especialmente no que diz respeito a roubos e furtos de celulares. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado recentemente, a capital paulista representa 20% de todos os crimes desse tipo registrados no país em 2025, apesar de abrigar apenas 5,6% da população nacional.
Com uma taxa alarmante de 1.390,5 celulares roubados para cada 100 mil habitantes, São Paulo ocupa a terceira posição no ranking nacional, atrás apenas de São Luís (MA) e Belém (PA). No Brasil, a média é de 371,2 casos por 100 mil habitantes, o que coloca a capital paulista em uma situação preocupante. Para se ter uma ideia da magnitude do problema, foram mais de 830 mil celulares subtraídos em todo o Brasil, resultando em uma média de 95 ocorrências por hora.
Análise dos dados de criminalidade
O estudo revela que a taxa de roubos e furtos de celulares em São Paulo é quase quatro vezes superior à média nacional. São Luís lidera o ranking com uma taxa de 1.517, seguida por Belém, com 1.487 casos. Além dessas cidades, o levantamento também destaca outras capitais, como Salvador (BA) e Lauro de Freitas (BA), que possuem taxas de 1.195 e 1.144,5, respectivamente.
Apesar dos números preocupantes, o estudo aponta uma queda de 7,7% nos registros de furtos e roubos de celulares em comparação ao ano anterior. Essa redução é principalmente atribuída à diminuição significativa no número de roubos, que caiu de 378 mil para 309 mil, representando uma queda de 18,6%. Por outro lado, os furtos apresentaram um leve aumento, passando de 477 mil para 484 mil.
Subnotificação e questões de políticas públicas
A diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, e o presidente Renato Sérgio de Lima, alertam que embora os dados mostrem uma diminuição nos registros, a realidade pode ser muito mais grave. Pesquisas de vitimização indicam que cerca de 8,3% da população com 16 anos ou mais relatou ter sido vítima de roubo ou furto de celular, o que corresponde a aproximadamente 13,9 milhões de pessoas. Se todas essas vítimas tivessem registrado suas ocorrências, o número de boletins de ocorrência seria significativamente maior.
O estado de São Paulo, segundo o Anuário, concentra 32% dos roubos e furtos de celulares do Brasil. Além disso, é revelado que os crimes relacionados a celulares ocorrem com mais frequência no final de semana, com 34,5% dos casos registrados aos sábados e domingos. As horas de maior incidência para furtos são entre 10h e 12h, e das 17h às 20h, enquanto os roubos são mais comuns durante os dias úteis, especialmente às sextas-feiras.
Impacto social e medidas de prevenção
Os dados também mostram uma disparidade racial, com 66,9% das vítimas de roubo sendo negras. A subnotificação dos crimes de celular sugere a necessidade de uma revisão nas políticas públicas, já que muitas vítimas não se sentem motivadas a registrar suas ocorrências. Especialistas afirmam que essa situação reflete uma mudança nos hábitos dos brasileiros, que estão alterando suas rotinas por medo da violência.
Medidas para combater a criminalidade incluem inutilizar celulares remotamente para dificultar a revenda, melhorar a infraestrutura urbana, como a iluminação pública, e promover o registro e bloqueio remoto de celulares, práticas que estão sendo incentivadas pelo Programa Brasil Seguro.




