No último sábado, 12 de julho, a Rússia deu início ao envio de ajuda humanitária à Venezuela, após a ocorrência de terremotos devastadores que atingiram o país no final de junho. O primeiro carregamento, que inclui cerca de 10 toneladas de suprimentos, desembarcou no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, localizado no estado de La Guaira.
A carga enviada pela Rússia tem como objetivo apoiar as operações de resgate e atender às necessidades das famílias afetadas por essa tragédia. De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, os suprimentos incluem alimentos não perecíveis, utensílios domésticos, ferramentas e equipamentos destinados ao resgate, todos essenciais para auxiliar a população e facilitar os trabalhos de busca nas áreas mais impactadas.
A recepção da ajuda foi realizada pelo vice-ministro das Relações Exteriores para Comunicação Internacional, Rander Peña, ao lado do embaixador russo em Caracas, Sergey Mélik-Bagdasárov. Em discurso, Peña expressou gratidão ao governo de Moscou em nome da presidente Delcy Rodríguez, ressaltando que este é o primeiro de vários envios planejados. “A Rússia demonstrou solidariedade ativa e oportuna com o povo venezuelano desde o começo”, declarou o vice-ministro.
O embaixador russo, por sua vez, anunciou que um segundo avião, de maior capacidade, está sendo preparado para levar uma quantidade ainda maior de medicamentos, produtos essenciais e tendas. Ele destacou que toda a operação está sendo coordenada em colaboração com o governo venezuelano. “Estamos juntos, como na época da pandemia. Sempre em solidariedade em qualquer situação”, afirmou.
Consequências dos terremotos na Venezuela
A ajuda chega em um momento em que a Venezuela lida com as consequências devastadoras de dois terremotos consecutivos, ocorridos em 24 de junho. O último balanço oficial indica que o número de vítimas fatais subiu para 4.333, além de 16.740 feridos e 17.907 pessoas ainda desabrigadas. Estruturalmente, 190 edifícios desabaram completamente e 856 sofreram danos significativos.
As autoridades informaram que, desde o início da emergência, já foram registradas 1.202 réplicas dos tremores, com mais de 30 mil agentes mobilizados para operações de busca e assistência humanitária, além de esforços de reconstrução. Os terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, são considerados os mais fortes já registrados na Venezuela desde 1900, com as regiões mais afetadas sendo Caracas e La Guaira.
Logo após os tremores, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertou sobre a possibilidade de um número elevado de fatalidades, estimando que as mortes poderiam variar entre 10 mil e 100 mil. Embora o balanço atual permaneça abaixo dessa previsão alarmante, as autoridades venezuelanas continuam com as operações em busca de sobreviventes, e o número de vítimas pode ser atualizado à medida que as buscas progridem.




