O União Brasil do Rio de Janeiro concluiu sua convenção estadual na última sexta-feira, dia 31 de julho, sem chegar a um consenso sobre a candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, ao Senado e sobre o apoio à corrida ao governo do estado por Douglas Ruas, do PL.
Canella, que preside a sigla no estado, informou que as decisões referentes a essas candidaturas serão divulgadas até a próxima terça-feira, 4 de agosto, data limite para que as convenções partidárias sejam realizadas. O partido, junto ao PP, que faz parte da federação União Progressista, havia estabelecido em fevereiro a participação na chapa de Douglas Ruas, onde Canella seria o candidato ao Senado e Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, seria o vice-governador.
No entanto, o cenário político se alterou por conta de crises internas envolvendo aliados do PL no Rio de Janeiro. Lisboa decidiu não seguir com sua candidatura, levando a federação a reconsiderar tanto o apoio a Ruas quanto a candidatura de Canella.
A situação de Canella tornou-se mais complexa após uma investigação da Polícia Federal, que está apurando um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado a postos de combustíveis. Ele foi alvo de uma operação da PF, resultando em sua prisão em flagrante por porte ilegal de arma, mas foi libertado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também revogou a imposição de uso de tornozeleira eletrônica.
Durante a convenção, o União Brasil apenas ratificou as candidaturas da legenda para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Um dos nomes destacados é o do presidente nacional do partido, Antonio Rueda, que tentará uma vaga na Câmara com o respaldo da base política de Canella.
Ainda sem uma definição clara, a chapa de Douglas Ruas permanece incompleta, sem um candidato a vice-governador e sem a confirmação do nome de Canella. Até o momento, o único nome certo para a disputa ao Senado é o do senador Carlos Portinho, que busca a reeleição. No PL, há expectativas de que Canella continue na chapa, embora no PP haja divisões, com alguns líderes defendendo o apoio a Eduardo Paes (PSD) para a vaga de governador.
Durante sua fala na convenção, Canella ressaltou que sua candidatura dependerá da decisão da federação: "Não sou candidato de mim mesmo. Sou candidato de um grupo. Vocês sabem dos últimos acontecimentos. Continuo confiando na Justiça, de cabeça erguida".
Na semana anterior, o presidente estadual do PL, deputado Altineu Côrtes, mencionou que recebeu indícios de que a federação manterá o pacto com o partido. "A gente faz política honrando a palavra e nós temos a palavra do Dr. Luizinho e do Antônio Rueda de que a federação vai ficar conosco. Se a federação tomar outro caminho, a gente toma outro caminho", declarou ele.




