Investimento Polêmico Atraí Críticas no Rio de Janeiro
A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) posicionou-se de forma contundente ao classificar o aporte de R$ 150 milhões do estado em um fundo que investia predominantemente na empresa Ambipar como uma “cilada com dinheiro público”. O investimento em questão foi realizado entre junho e agosto de 2025 e se destinava ao fundo Texas I, gerido pela Trustee.
A PGE-RJ obteve recentemente uma decisão judicial que bloqueou R$ 132 milhões em ativos da gestora Trustee. Este bloqueio é uma resposta a um cenário que envolve não apenas a perda de recursos, mas também a possibilidade de uma ação coordenada entre diferentes agentes financeiros, incluindo o Banco Master e o investidor Nelson Tanure, para manipular artificialmente o valor das ações da Ambipar.
O Desastre Financeiro e Suas Consequências
Após um período de valorização, as ações da Ambipar sofreram uma queda acentuada, atualmente avaliadas em menos de R$ 15 milhões, o que ocasionou um rombo significativo na Rioprevidência, o instituto de previdência dos servidores estaduais. Essa situação financeira alarmante é uma das razões que levou a Operação Carbono Oculto a investigar o ex-governador Cláudio Castro, que está sob a mira da Justiça.
A PGE destacou que a estrutura do fundo Texas I apresentava uma concentração excessiva, com 96,12% de sua carteira investida em um único ativo: as ações da Ambipar. Essa prática é considerada contrária aos princípios de prudência e diversificação, fundamentais na gestão de recursos previdenciários.
Investigações e Irregularidades
Os procuradores argumentam que houve uma “precificação artificial” das ações, resultado de uma compra coordenada entre julho e outubro de 2024. Essa manobra resultou em uma valorização que não conseguia se sustentar e culminou na desintegração de aproximadamente R$ 135 milhões em menos de um ano.
A PGE-RJ também denunciou a falta de transparência na administração do fundo, afirmando que, a partir de março de 2026, a carteira do Texas I passou a ser divulgada sem a individualização dos ativos. Essa estratégia, segundo a Procuradoria, foi uma forma deliberada de impedir que o estado acompanhasse em tempo real as perdas financeiras que estavam afetando os cofres públicos.
Decisões Judiciais e Projeções Futuras
Recentemente, o Tribunal de Justiça do Rio deferiu um agravo da PGE, permitindo o bloqueio de R$ 135 milhões da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, além de outras entidades envolvidas. A decisão também impõe que a administradora Master Corretora apresente um parecer de auditoria externa em até 15 dias.
Além disso, a Justiça exigiu que a Trustee forneça um relatório detalhado sobre todas as transações realizadas com os cotistas do Texas I, incluindo informações sobre datas, valores e beneficiários finais. A B3, bolsa de valores do Brasil, também foi instruída a informar todas as transações relacionadas às ações da Ambipar dentro de um período específico.
Reflexão sobre o Futuro dos Investimentos Públicos
A situação atual levanta importantes questões sobre a governança e a transparência nos investimentos públicos, especialmente em um contexto onde a responsabilidade fiscal é essencial para garantir a proteção dos interesses dos cidadãos. O desvio de recursos públicos em situações como esta acentua a necessidade de uma fiscalização rigorosa e ações corretivas para evitar que casos semelhantes ocorram no futuro.




