A divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira (15/7) trouxe à tona um cenário desafiador para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial. O levantamento mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre Flávio, elevando as preocupações entre os aliados do senador.
Apesar do discurso oficial de membros da campanha, que tenta minimizar os resultados, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconhece que Flávio ainda é um candidato forte, mas os números indicam um desafio crescente para atrair eleitores além da base tradicional bolsonarista. As intenções de voto revelam que Lula lidera com 40% no primeiro turno, enquanto Flávio registra apenas 28%. Em uma possível disputa direta, Lula alcança 45%, contra 37% do senador, proporcionando uma diferença de oito pontos percentuais, dentro da margem de erro de dois pontos.
Integrações da pré-campanha reconhecem, em privado, que a pesquisa revelou que Flávio não conseguiu alcançar eleitores moderados, o que se reflete na percepção de que as estratégias adotadas até agora não têm surtido o efeito desejado. Dirigentes de partidos de centro também expressaram preocupações, afirmando que a aproximação de Flávio com esses segmentos não foi bem-sucedida.
- A pesquisa aponta uma queda nas intenções de voto entre eleitores independentes: Flávio tinha 21% em março, e o número caiu para 15%. Já Lula lidera com 30% entre esse grupo.
- O apoio ao senador entre seus próprios eleitores também diminuiu: a fidelidade caiu de 70% para 62% desde junho, indicando dificuldades em manter um eleitorado estável.
- Mudanças na estratégia são necessárias: Diante dos resultados, aliados de Flávio defendem uma revisão das abordagens antes do início da campanha oficial.
A equipe de campanha está planejando uma reunião antes da convenção do PL, marcada para 25 de julho, onde serão discutidos os rumos e estratégias a serem seguidas. Um membro da equipe afirmou que a avaliação será crucial para determinar o que funcionou e o que precisa ser corrigido.
A crise de comunicação é outro fator que tem contribuído para a percepção negativa da campanha. Erros em materiais promocionais e uma falta de uma estratégia unificada foram mencionados por parlamentares como áreas que precisam de atenção imediata. Além disso, a recente crise familiar envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem gerado desgaste adicional, levantando questões sobre a eficácia da comunicação da campanha.
Buscando reverter a situação e ampliar seu apoio, Flávio Bolsonaro pretende lançar um conjunto de propostas voltadas ao eleitorado feminino. Batizado de Brasil Por Elas, o programa será lançado em São Paulo e terá foco na segurança pública, saúde e inclusão das mulheres no mercado de trabalho. Essa iniciativa pode ser vista como um esforço para atrair um segmento importante da população que tem demonstrado crescente preocupação com questões de segurança e igualdade.
As propostas devem ser integradas ao programa de governo que será registrado até 15 de agosto, conforme exigido pela legislação eleitoral, e podem ser determinantes para a viabilidade de sua candidatura.




