A mamoplastia redutora, um procedimento que visa aliviar o desconforto físico causado por mamas volumosas, pode ter um impacto positivo na saúde metabólica das mulheres, de acordo com um estudo preliminar divulgado em março e atualmente sob revisão por especialistas. A pesquisa sugere que mulheres que se submeteram a essa cirurgia apresentaram uma diminuição significativa na incidência de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão ao longo de uma década.

O estudo analisou dados de milhares de mulheres entre 18 e 50 anos, classificadas conforme o índice de massa corporal (IMC). Os pesquisadores compararam os resultados de pacientes que realizaram a cirurgia com aquelas que mantiveram um perfil semelhante, mas não passaram pelo procedimento. Os resultados mostraram uma associação mais forte entre a cirurgia e a redução de riscos metabólicos em mulheres com IMC normal e sobrepeso, enquanto o efeito foi menos pronunciado entre aquelas com obesidade.

De acordo com Beatriz Lassance, cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a mamoplastia redutora não só melhora a estética, mas também pode impactar positivamente os hábitos de vida das pacientes. “Ao se livrar do peso excessivo das mamas, muitas mulheres se sentem mais à vontade para se movimentar, o que pode levar a um aumento da atividade física e, consequentemente, a melhorias na saúde geral”, explica a especialista.

Os pesquisadores também notaram que as mulheres que passaram pelo procedimento mostraram melhorias em indicadores de saúde, como níveis de triglicerídeos e aumento do HDL, conhecido como colesterol “bom”. Além disso, houve uma diminuição na dependência de medicamentos para tratar distúrbios metabólicos.

É importante ressaltar que, apesar dos resultados promissores, o estudo não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Os especialistas alertam que o tamanho dos seios por si só não é o principal determinante do risco metabólico. O excesso de gordura abdominal e visceral continua sendo o fator mais relevante, associado a problemas como resistência à insulina e inflamações crônicas.

A nutróloga Beatriz Pereira Vilela, da plataforma INKI, reforça que, embora o tecido adiposo mamário possa influenciar o metabolismo, sua relevância é inferior à gordura acumulada na região abdominal. “A prevenção deve focar em reduzir a gordura visceral e promover hábitos saudáveis, pois são esses fatores que realmente alteram o risco de doenças metabólicas”, afirma.

Entre as recomendações para a prevenção de problemas metabólicos estão a adoção de uma alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas, controle de peso, sono adequado e a redução do consumo de álcool e tabaco.

No Brasil, a mamoplastia redutora pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde que haja comprovação de que o tamanho das mamas causa prejuízos à saúde, como dores crônicas e limitações funcionais. No entanto, as pacientes frequentemente enfrentam longas filas de espera para o procedimento. Enquanto aguardam, os especialistas recomendam o uso de sutiãs adequados que ofereçam boa sustentação e conforto, facilitando um estilo de vida ativo e saudável.