Noutras palavras: O PSDB e o PSD de Minas Gerais se veem envolvidos em uma controvérsia após o pagamento de R$ 1,1 milhão à CNM Aviação, uma empresa de táxi aéreo sob a propriedade de Juliana Costa Nobre Magalhães, uma figura denunciada pelo MPF por sua associação a um esquema de tráfico de drogas.
A CNM Aviação, que pertence a Juliana, foi alvo de uma denúncia formal do Ministério Público Federal (MPF), que a descreve como uma das gerentes executivas da quadrilha da traficante Karina Campos, notoriamente conhecida como a “rainha do pó”. A empresa foi constituída em 2021, após uma operação da Polícia Federal que visava desmantelar a organização criminosa e que resultou na apreensão de 175 kg de cocaína em 2020, quando o hangar era operado por uma empresa de Leonardo Costa Nobre, irmão de Juliana.
De acordo com os registros, o PSDB desembolsou R$ 551,7 mil em abril e maio de 2022, enquanto o PSD gastou R$ 555,4 mil entre maio e setembro do mesmo ano, logo durante o período eleitoral. Os gastos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram consultados por meio de um script de programação.
Histórico de Investigações
Juliana Costa Nobre já havia sido investigada na operação Flight Level, que apura o funcionamento de uma quadrilha que enviava cocaína para a Europa. O MPF descreve Juliana como uma figura central, responsável por gerenciar os negócios ilícitos após a prisão de seu irmão, Leonardo. A denúncia destaca que, sob sua gestão, a CNM Aviação foi utilizada para continuar operando ilegalmente, promovendo atividades associadas ao tráfico de drogas.
Em uma reviravolta ainda mais alarmante, a denúncia revelou que Juliana utilizou uma procuração falsa, supostamente assinada por um homem que faleceu em 1992, para gerir contratos relacionados ao hangar da empresa. A documentação foi encontrada em um serviço de armazenamento digital, o que levanta questões sobre a legalidade e a ética das operações da CNM Aviação.
Respostas dos Partidos
O PSDB se defendeu afirmando que a CNM Aviação apresentou toda a documentação necessária e que as contratações seguiram todos os procedimentos administrativos estabelecidos. O partido alega que não possui qualquer vínculo com a empresa ou suas operações. O PSD, por sua vez, também se posicionou, afirmando que não tinha conhecimento das investigações no momento das contratações, destacando que a análise do CNPJ da empresa foi rigorosa.
Enquanto isso, a controvérsia continua a se desdobrar, trazendo à tona questões sobre a responsabilidade política e a necessidade de um maior escrutínio nas relações entre partidos e empresas de serviços, especialmente em um contexto tão delicado como o do tráfico de drogas.




