A partir de esta sexta-feira (24/7), produtos brasileiros enfrentarão uma nova realidade no mercado dos Estados Unidos, com a implementação de uma tarifa adicional de 12,5%. Esta medida, anunciada na quinta-feira (23/7), se soma a uma sobretaxa de 25% já vigente, resultando em uma carga tributária total de até 37,5% sobre vários artigos. Esta iniciativa coloca o Brasil entre os países mais afetados pelas tarifas americanas, perdendo apenas para a China.

A decisão do governo norte-americano é parte de uma investigação sob a Seção 301 do Trade Act de 1974, que aponta falhas no combate ao trabalho forçado em algumas cadeias produtivas brasileiras. Além disso, há uma segunda apuração relacionada a práticas comerciais consideradas desleais e ao desmatamento.

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), cerca de 3 mil produtos brasileiros, representando aproximadamente US$ 12,5 bilhões (cerca de R$ 63,7 bilhões) em exportações anuais, serão impactados. Desses, 85,3% das vendas acumulam ambas as sobretaxas, afetando diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

Produtos mais afetados

Entre os itens que sofrerão a nova tarifa estão:

  • Etanol: incluindo etanol de cana-de-açúcar e álcool etílico para uso industrial.
  • Máquinas e equipamentos: tratores, colheitadeiras e escavadeiras.
  • Transformadores elétricos: para subestações e centros de dados.
  • Calçados: incluindo sapatos de couro e tênis.
  • Móveis de madeira: mesas, cadeiras e armários.
  • Vestuário: camisas, calças jeans e casacos de inverno.
  • Pisos e rochas ornamentais: granito e mármore.
  • Equipamentos eletrônicos: para uso geral e industrial.

O etanol brasileiro, em especial, tem sido um foco central com as tarifas adicionais, levantando preocupações sobre o impacto no comércio bilateral. Durante uma consulta pública, produtores norte-americanos argumentaram que as políticas brasileiras prejudicaram a competitividade do etanol dos EUA, defendendo as tarifas como um meio de compensação.

Exceções às tarifas

Apesar das novas sobretaxas, existem produtos que foram isentos, incluindo:

  • Aeronaves civis e seus componentes.
  • Produtos de aço e alumínio já tarifados.
  • Doações humanitárias e bagagens pessoais.
  • Alguns produtos agrícolas e florestais.

Impactos nas exportações brasileiras

As novas tarifas já estão gerando consequências negativas para a balança comercial do Brasil. Dados recentes indicam que 20 dos 27 estados brasileiros observaram uma queda nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior. As vendas totais recuaram 13%, representando uma perda de US$ 2,6 bilhões.

O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou intenções de acionar a Lei da Reciprocidade, que permite a aplicação de tarifas equivalentes em resposta a barreiras comerciais unilaterais. O Palácio do Planalto já iniciou os trâmites para essa ação após o anúncio das novas taxas, considerando levá-las ao âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo também critica os Estados Unidos por usar questões de direitos humanos para justificar suas políticas comerciais, considerando que a aplicação das tarifas pode prejudicar o fluxo de comércio e elevar os custos para consumidores americanos.