Ministério Público de Minas Gerais intensifica investigações no caso do casal assassinado
Em Belo Horizonte, o primo da vítima Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, identificado como Vinícius Moreira Mitre, pode ser investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A iniciativa surge após a denúncia contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que foi acusada de latrocínio, fraude processual e furto mediante fraude.
A denúncia, apresentada na última quarta-feira (29), aponta que Vinícius foi o responsável por recomendar Paola para trabalhar na casa do casal, que era formado por idosos. O promotor Mauro da Fonseca Ellovitch destacou a relevância da investigação, uma vez que a diarista havia contatado Vinícius durante o crime, informando que Maria Clotilde não estava bem, sem que ele tivesse tomado qualquer atitude para verificar a situação.
O MPMG levantou indícios de que Paola pode ter se preparado para o roubo previamente, demonstrando conhecimento sobre a situação financeira das vítimas. Assim, o caso de Vinícius será encaminhado às autoridades policiais para um aprofundamento nas investigações.
Diarista é acusada de crimes graves
Atualmente, Paola Stefany está detida no Presídio Feminino José Abranches Gonçalves e enfrenta acusações de latrocínio qualificado, com as agravantes de uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ser um crime cometido contra pessoa maior de 60 anos. Os atos de fraudulência e furto também estão entre as acusações que pesam contra ela.
Além disso, Leonardo do Nascimento, proprietário de um restaurante, também foi denunciado por ter colaborado na execução do furto em conluio com Paola. O MPMG optou por não apresentar um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) para ambos, já que não atendiam aos requisitos legais para tal.
Por outro lado, três homens que compraram bens subtraídos, com destaque para Júnio Ferreira Morais, Vitor Manuel Soares Bartolomeu e Wesley Fernandes da Silva, terão seus casos separados para possíveis propostas de ANPP, em virtude do preenchimento dos requisitos legais.
O crime e suas consequências
Os eventos que levaram a estas acusações ocorreram em 29 de junho de 2026, no apartamento 500 da Rua Padre Severino, no bairro São Pedro. De acordo com a denúncia, Paola, que trabalhava como diarista, foi indicada por Vinícius. No dia do crime, a acusada teria misturado clonazepam em um suco que Maria Clotilde preparou. Quando a vítima começou a sentir os efeitos, seu marido, Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, acordou e foi atacado por Paola, que lhe causou a morte com uma faca.
Posteriormente, ela teria feito o mesmo com Maria Clotilde, que tinha 76 anos, usando uma almofada embebida em thinner para tentar asfixiá-la. Após cometer os homicídios, Paola recolheu uma quantia superior a R$ 19 mil em dinheiro, além de joias e outros bens de valor.
Manipulação da cena do crime e fuga planejada
Em uma tentativa de ocultar seus atos, Paola alterou a cena do crime, cobrindo os corpos e limpando vestígios, além de descartar roupas manchadas de sangue em um local inadequado. Após isso, ela se dirigiu ao Centro de Belo Horizonte, onde se encontrou com Leonardo para utilizar os cartões bancários das vítimas.
As transações resultaram em um total de R$ 3.100, sendo que uma tentativa de R$ 5 mil foi bloqueada. Após a venda de joias a preços muito abaixo do mercado, Paola ainda se preparou para deixar o estado, mas foi presa pela Polícia Civil antes de conseguir realizar a fuga.
Próximos passos judiciais
O Ministério Público requer a aceitação da denúncia e a citação dos denunciados para que se inicie o processo judicial. A Justiça decidirá se receberá a denúncia, e, caso aceito, Paola e Leonardo se tornarão réus no processo. O caso continua a repercutir na sociedade, gerando debates sobre a segurança de idosos e a responsabilidade de quem faz recomendações de serviços pessoais.




