O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Tiago Chagas Faierstein, revelou que a companhia aérea Voepass, responsável pelo voo 2283, apresentou informações falsas que enganaram as autoridades antes do trágico acidente em agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas.
A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), divulgada em 23 de julho, destaca que falhas nos processos da ANAC, além de outros 18 fatores, contribuíram significativamente para a queda da aeronave. O relatório enfatiza que as medidas adotadas pela ANAC não foram suficientes para garantir a segurança das operações da Voepass.
De acordo com o documento, “os sinais de perigo e degradação das condições operacionais não foram adequadamente considerados no gerenciamento de risco da ANAC”. Faierstein, que assumiu a presidência da ANAC em setembro de 2025, fez um apelo à transparência e destacou que a Voepass não colaborava de forma honesta com o órgão fiscalizador.
“Recebemos informações que não correspondiam à realidade. Um exemplo claro disso é quando nossos fiscais solicitavam a troca de uma peça específica, e a documentação indicava que a troca havia sido realizada, mas, na prática, isso não ocorria”, declarou Faierstein durante uma entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo.
A queda da aeronave foi atribuída ao acúmulo de gelo nas asas, uma questão que já havia sido alvo de notificações da ANAC à Voepass por irregularidades no sistema de degelo entre 2022 e 2024. O presidente da ANAC revelou que houve uma “degradação” na manutenção da empresa, com repetidos relatos de manutenção inadequada e informações falsas sobre a troca de equipamentos essenciais.
O Certificado de Operador Aéreo (COA) da Passaredo Transportes Aéreos, controladora da Voepass, foi revogado em 24 de junho de 2025, devido a “graves e persistentes” falhas operacionais. O relatório do CENIPA listou 19 fatores que culminaram no acidente, incluindo problemas técnicos, falhas de treinamento da tripulação, decisões inadequadas e uma cultura organizacional que não priorizava a segurança.
O acidente da aeronave ATR 72-500, matrícula PS-VPB, evidenciou a necessidade urgente de uma revisão nos processos de fiscalização e regulação do setor aéreo, visando prevenir novas tragédias e garantir a segurança dos passageiros.




