O mercado global de energia opera sob forte apreensão nesta segunda-feira (14). Os preços do petróleo bruto registraram altas expressivas, superando os 3% no momento de maior pico no início da jornada, impulsionados pela escalada militar no Oriente Médio e pelo receio de interrupções severas na oferta mundial da commodity.
Nas negociações internacionais, por volta das 4h30 (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo Brent avançava 3,10%, sendo cotado a US$ 107,85 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, registrava valorização de 2,47%, sendo negociado a US$ 99,03. Embora as cotações tenham arrefecido levemente ao longo do dia, o clima entre investidores permanece em estado de alerta.
Ameaça à infraestrutura e risco de desabastecimento
O grande fator de apreensão nos mercados financeiros reside na vulnerabilidade da infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita, maior exportadora global. O oleoduto Leste-Oeste do país foi desativado temporariamente após ser atingido por um ataque com drones disparados a partir do Iraque na semana passada.
Segundo estimativas de analistas do setor energético, até 4% de todo o petróleo consumido no mundo pode ficar indisponível caso a rota de escoamento continue parada. Informações preliminares apontam que o ataque causou avarias em diversas estações de bombeamento ao longo da tubulação.
A crise logística foi agravada por novos episódios no final de semana:
- Ataques rebeldes: O grupo Houthi, do Iêmen, assumiu a autoria de disparos de mísseis e drones contra o território saudita, afirmando ter atingido uma base militar em Sharurah.
- Posição saudita: Autoridades estatais do reino informaram que um projétil caiu na região de Jazan, sem confirmar impactos na instalação militar citada.
- Conflito ampliado: Os incidentes reforçam o acirramento das hostilidades entre a Arábia Saudita e forças regionais alinhadas ao Irã.
Incerteza no Estreito de Ormuz e paralisia diplomática
As tensões também se estenderam às rotas marítimas estratégicas. A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), entidade voltada à segurança do tráfego naval, emitiu um alerta de emergência no domingo (13) após uma embarcação ser atingida por um projétil no Estreito de Ormuz. Em paralelo, relatos da imprensa internacional indicaram que um navio cargueiro iraniano foi atingido nas proximidades da ilha de Qeshm.
No campo geopolítico, as tentativas de apaziguamento sofreram um duro golpe. O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, confirmou o adiamento de uma reunião emergencial prevista para esta segunda-feira entre o Irã e os países do Golfo Persico. O encontro visava estabelecer um acordo temporário para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, mas foi suspenso diante da total falta de consenso entre as partes.


