Em São Paulo, cerca de 42% das crianças estão matriculadas em creches, um número que exige um esforço contínuo do governo para garantir acesso a todos. O secretário municipal de Educação, Fernando Padula, enfatizou essa necessidade durante o evento "São Paulo: Educação que Transforma", onde especialistas se reuniram para discutir os desafios educacionais do estado.
A discussão, promovida pelo Metrópoles em parceria com a Prefeitura de São Paulo e a São Paulo Negócios, abordou a mudança das creches de uma perspectiva assistencialista para uma abordagem educacional, conforme estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Essa transformação é respaldada por descobertas da neurociência sobre a importância da educação na primeira infância.
A cidade comemorou seis anos seguidos sem filas de espera para creches, resultado de um aumento na oferta de vagas e parcerias estratégicas. Padula ressaltou que, embora o acesso tenha melhorado, o desafio agora é garantir tanto a permanência das crianças quanto a qualidade do atendimento.
Padula defendeu que as políticas públicas devem focar na formação dos professores e na redução das desigualdades, cruciais para o avanço na qualidade da educação infantil. Dani Junco, CEO da B2Mamy, complementou que as discussões sobre creches precisam considerar as realidades sociais e econômicas que afetam as decisões familiares, especialmente em um país onde existem 11 milhões de mães solteiras.
Eduardo Queiroz, da Fundação Bracell, destacou que, além do acesso, é vital que as lideranças priorizem a educação e promovam a integração entre as áreas de saúde e educação para o bem-estar das crianças. A alfabetização, como elogiou Lucimeira Cabral Santana, coordenadora pedagógica da SME, deve iniciar na educação infantil, com a expectativa de que os pais entendam que a leitura se desenvolve gradualmente.
Ela defendeu que as crianças devem ter liberdade para construir seus projetos de vida, enquanto a Prova São Paulo se mostra uma ferramenta útil para mapear a proficiência dos alunos e guiar políticas educacionais que visem a redução das desigualdades.
Beatriz Cardoso, do LabEdu, acrescentou que a alfabetização deve ser vista como um processo contínuo de desenvolvimento, ressaltando a importância de brincar como uma forma de aprendizado. Silvia Lima, do Instituto Ayrton Senna, enfatizou que a alfabetização deve ser abordada de forma integral, promovendo diálogo entre escolas e famílias.
No terceiro painel do evento, Carolina Bastos, da SME, defendeu a transformação da alimentação escolar em um momento de aprendizado e cidadania, assegurando que a qualidade das refeições evoluiu significativamente desde 1993. Rosana Rodrigues, coordenadora da COCEU, destacou a importância de uma educação inclusiva que promova oportunidades equitativas para todos os estudantes.
O programa Recreio nas Férias foi citado como um exemplo de política pública que democratiza o acesso à cultura e proporciona suporte às famílias durante as férias escolares, impactando positivamente a trajetória educacional das crianças.




