O ativista indiano Sonam Wangchuk, conhecido por sua luta em prol das questões climáticas, foi levado a um hospital em Nova Délhi neste sábado (18/7) após completar 20 dias de greve de fome. A decisão foi tomada pelo Tribunal Superior da capital indiana, gerando reações de seus apoiadores, que protestaram contra a maneira como a situação foi tratada, alegando que Wangchuk foi levado à força.

Wangchuk iniciou seu jejum como um ato de protesto contra a atuação do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em relação a supostas irregularidades nos exames de admissão aos cursos de medicina no país. Essas alegações estão ligadas a um recente escândalo de vazamento de provas, que culminou no cancelamento de um exame que afetou mais de 2 milhões de estudantes em todo o território nacional.

Seu médico pessoal, Dr. Satish Lamba, informou que o ativista se encontra estável, mas em risco de desenvolver hipocalemia, uma condição caracterizada por baixos níveis de potássio no sangue. “Fui informado que ele foi levado ao hospital sem aviso prévio. Embora esteja estável, sua saúde é uma preocupação devido à possibilidade de hipocalemia”, declarou Lamba.

A situação de Wangchuk também provocou críticas entre os políticos indianos. O deputado Sanjay Raut posicionou-se contra a decisão de interná-lo, afirmando que, se a vida do ativista era realmente uma prioridade, uma equipe de diálogo deveria ter sido enviada ao seu encontro. “Ele lutou por mais de 20 dias pela educação de estudantes que estão vendo seus futuros comprometidos. Isso é uma ditadura”, enfatizou Raut.

Em uma postagem nas redes sociais feita na quarta-feira (15/7), Wangchuk admitiu que sua saúde estava comprometida, mas reafirmou seu compromisso com a causa. “Não estou em boa forma, mas também não tão mal assim. Em vez de pedirem que eu quebre meu jejum, por favor, unam-se a mim em uma marcha pacífica em direção ao Parlamento no dia 20 de julho”, escreveu.

O escândalo dos exames que motivou a greve de Wangchuk envolve a suspeita de um vazamento em larga escala, que levou a agência responsável pelos testes a cancelar o exame e impor medidas de segurança rigorosas aos estudantes que precisavam refazê-lo. A situação gerou um clima de incerteza e frustração entre os jovens que buscam uma vaga nos cursos de medicina e odontologia no país.