A filhinha de 7 anos da soldado Gisele Alves Santana, falecida em 18 de fevereiro, será ouvida como testemunha nesta quarta-feira (1º de julho) no julgamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial, que foi preso um mês após a morte de sua esposa, enfrenta acusações de feminicídio, embora mantenha sua inocência ao alegar que Gisele teria cometido suicídio.
O caso ganhou atenção nacional após Gisele ser encontrada com ferimentos fatais em seu apartamento, localizado no Brás, centro de São Paulo. Inicialmente, a morte foi tratada como suicídio, mas a investigação subsequente pela Polícia Civil levantou dúvidas e levou à prisão do coronel.
O depoimento da criança será realizado em um formato especial, projetado para acolher vítimas ou testemunhas jovens de violência. O processo é conduzido em um ambiente controlado, com a presença de um psicólogo ou assistente social, garantindo que a menina se sinta segura e protegida durante a oitiva. O depoimento será gravado, permitindo que o juiz e outros participantes assistam de uma sala separada, visando preservar a intimidade da criança e evitar re-traumatização.
Além da criança, outros familiares de Gisele, como seus pais, irmão e ex-marido, também estão agendados para prestar depoimento. A sequência de oitivas está programada para se estender até sexta-feira (3), quando o tenente-coronel será interpelado.
O caso da soldado Gisele Alves suscita um debate mais amplo sobre a violência de gênero e o tratamento de denúncias de feminicídio. A criança, que vivia com o casal, relatou ao pai biológico episódios de brigas intensas entre seus pais. No dia anterior à morte de Gisele, a menina foi retirada do apartamento, onde, segundo o relato do pai, manifestou seu desespero ao dizer que não aguentava mais as discussões frequentes.
Gisele, de 32 anos, foi socorrida após o disparo e levada ao Hospital das Clínicas, onde faleceu devido a traumatismo craniano. A mudança na classificação da morte para suspeita de homicídio se deu após análises periciais que contradisseram a teoria do suicídio inicialmente considerada.
Com a evolução das investigações e a coleta de evidências, a Polícia Civil formulou um pedido de prisão preventiva do tenente-coronel, culminando em sua detenção em 18 de março, em um condomínio em São José dos Campos. A Justiça Militar do Estado de São Paulo acatou o pedido e determinou sua prisão, considerando-o o principal suspeito no caso.
Amigas da soldado relataram também que a criança apresentou sinais de estresse emocional, como perda de peso e episódios de enurese, após conviver com o tenente-coronel, indicando o impacto psicológico da situação.




