A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Make Up para apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos derivados de emendas orçamentárias com o objetivo de financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia baseada na trajetória de Jair Bolsonaro. A ação, respaldada por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), coloca no centro das apurações o deputado federal Mário Frias (PL-SP), autor das emendas e produtor-executivo do longa-metragem.

Segundo os relatórios da corporação, o parlamentar destinou R$ 2 milhões em emendas individuais ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A partir desse aporte, investigadores identificaram um fluxo financeiro suspeito envolvendo empresas contratadas pela entidade e a produtora responsável pelo filme, a Go Up Entertainment.

A dinâmica dos repasses e o vínculo corporativo

As análises promovidas pela PF revelaram que o ICB transferiu R$ 700 mil para duas empresas: a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional. Simultaneamente, a NTT Brasil — empresa vinculada ao mesmo grupo econômico das prestadoras de serviço — realizou um repasse de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.

A semelhança entre as quantias e a sobreposição das datas levaram os investigadores a apontar fortes indícios de triangulação de capitais. Embora a correlação direta entre os recursos públicos e o montante recebido pela produtora ainda esteja em fase de consolidação probatória, a PF classifica o alinhamento temporal e empresarial como crucial para o avanço do inquérito.

Movimentações do parlamentar sob suspeita

Outro ponto ressaltado na representação policial envolve transferências efetuadas diretamente por Mário Frias. O congressista repassou R$ 645,4 mil para a Go Up Entertainment em um intervalo de menos de 60 dias. Para os peritos, os valores movimentados apresentam severa incompatibilidade com a remuneração mensal declarada pelo deputado, que é de R$ 44.008,52, sugerindo sua participação direta no fluxo financeiro investigado.

No período de filmagens em São Paulo, no final de 2025, a Go Up registrou uma movimentação total de R$ 19 milhões. Entre os gastos detectados pela perícia estão custos elevados com serviços de produção, alimentação e uma despesa de R$ 906,7 mil em um estabelecimento hoteleiro de luxo paulistano.

Medidas cautelares e crimes investigados

Para aprofundar as apurações, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. A sócia da produtora e presidente do ICB, Karina Gama, também figura entre os principais alvos das ordens judiciais.

A investigação conduzida no STF visa esclarecer a ocorrência de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e formação de organização criminosa. Os citados não haviam se manifestado publicamente até a conclusão desta reportagem.