Investigações conduzidas pela Polícia Federal trouxeram à tona a existência de um complexo aparato informal de inteligência e coerção que atuava sob demanda para atender a interesses de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A estrutura clandestina operava com divisão de tarefas, pagamentos mensais e até mesmo um cronograma organizado de folgas, com direito a recessos de fim de ano para seus integrantes.
Invasão de sistemas públicos e interferência policial
Denominado nos registros investigativos como 'A Turma', o núcleo encarregado das ações de campo e levantamento de dados era composto por policiais federais ativos e aposentados. O grupo utilizava credenciais corporativas e a proximidade com servidores da ativa para realizar consultas irregulares no banco de dados ePol, sistema restrito da Polícia Federal voltado ao acompanhamento de inquéritos e informações sigilosas.
Auditagens internas apontaram que acessos não autorizados partiram, entre outros locais, da delegacia da corporação em Juiz de Fora (MG). As apurações indicam que as consultas visavam monitorar processos de interesse do empresário e obter dados cadastrais de alvos específicos. Em troca dos serviços prestados, investigadores identificaram repasses financeiros periódicos e transferências via Pix a policiais envolvidos na fraude.
Ação de ciberataques e cerceamento à imprensa
Além da frente policial, a organização mantinha um braço focado em operações virtuais ofensivas, identificado como 'Os Meninos'. Composto por especialistas em segurança da informação, o grupo detinha capacidade técnica para invadir dispositivos móveis e servidores de armazenamento em nuvem.
As ações da célula cibernética incluíam:
- Derrubada de páginas e perfis em redes sociais que veiculavam conteúdos críticos às atividades do Banco Master.
- Tentativas de invasão a alvos estratégicos, incluindo o monitoramento do jornalista Lauro Jardim após solicitações diretas registradas na apuração.
- Acesso ilegal a bases estatais para extração de dados confidenciais de críticos e opositores.
Desdobramentos e enquadramento jurídico
As interceptações e análises de dados que fundamentam o inquérito foram referendadas pelo Supremo Tribunal Federal. Ao acolher os pedidos da Polícia Federal, o ministro André Mendonça destacou a presença de elementos materiais probatórios e indícios suficientes de autoria para autorizar as medidas cautelares contra os investigados. O caso segue sob apuração para delimitação cabal das responsabilidades penais dos envolvidos.


