Recentemente, a figura de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou destaque nas redes sociais, mas não de maneira positiva. O que se observa é um fenômeno curioso: tanto apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) quanto aliados do ex-presidente intensificaram a criação e disseminação de memes que giram em torno de sua imagem.

A origem desse novo conflito virtual remonta a um vídeo recente, onde Michelle critica de maneira contundente seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro. A partir dessa gravação, membros do PT começaram a compartilhar diversas montagens que retratam a ex-primeira-dama como uma espécie de “funcionária do mês” do partido, fazendo alusão ao conteúdo crítico do vídeo.

Por outro lado, do lado bolsonarista, a estratégia foi diferente. Parlamentares e simpatizantes passaram a compartilhar montagens que mostram Michelle vestida como uma militante do PT. Essas publicações fazem referência a um momento em que a ex-primeira-dama elogiou a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, uma iniciativa do Ministério da Educação sob a administração do presidente Lula. Michelle descreveu essa política como um “sonho realizado”, frase que agora é utilizada para associá-la ao PT.

Este cenário de memes e montagens revela um claro esforço de ambos os campos políticos para explorar as palavras e ações da ex-primeira-dama, numa tentativa de deslegitimar ou reforçar narrativas. O que se percebe é um movimento quase sincronizado onde, enquanto petistas tentam ridicularizar a figura de Michelle, bolsonaristas buscam associá-la a práticas e ideais do partido adversário.

Essa dinâmica não é apenas uma questão de memes, mas reflete uma luta política mais ampla, onde a imagem pública de figuras políticas é constantemente moldada e transformada para atender às agendas de diferentes grupos. A viralização dessas imagens pode influenciar a percepção pública e, consequentemente, os rumos das próximas eleições.