O vereador Senival Moura, membro do Partido dos Trabalhadores (PT), foi detido na última quinta-feira (25/06) em São Paulo, após ser investigado por supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu em seu apartamento localizado na zona leste da cidade, avaliado em valores que variam de R$ 1,6 milhão a R$ 2,8 milhões, conforme o mercado imobiliário.

Além do imóvel na capital paulista, a investigação revelou que Senival possui um sítio considerado de alto padrão na cidade de Extrema, em Minas Gerais. O parlamentar declarou à Justiça Eleitoral que o terreno rural em Extrema, adquirido há cerca de 20 anos, valia R$ 200 mil. No entanto, a defesa do vereador afirma que a construção da residência foi realizada de forma gradual ao longo do tempo, não revelando o valor atual do imóvel.

As acusações contra Senival Moura incluem lavagem de dinheiro através da Transunião, uma empresa de ônibus que recentemente teve sua concessão para operar 50 linhas em São Paulo questionada pela prefeitura. A investigação destacou que o vereador tinha recebido depósitos significativos em espécie, totalizando R$ 250 mil ao longo de três anos.

No relatório policial, foram citados diálogos que sugerem transações financeiras com um indivíduo identificado como “presidente”, que, segundo a polícia, poderia ser um dos apelidos de Senival. A conexão entre os interlocutores e o patrimônio investigado foi corroborada por mensagens que mencionavam valores acordados em Extrema.

A defesa de Senival alega que a valorização de seus bens é resultado das condições do mercado imobiliário. No entanto, a polícia aponta que, considerando sua remuneração oficial de R$ 26 mil por mês como vereador, o patrimônio acumulado por ele é desproporcional ao seu salário.

O levantamento feito pela reportagem indica que o patrimônio de Senival Moura, incluindo diversos imóveis, pode ultrapassar R$ 3,6 milhões. Entre os outros bens estão apartamentos em diferentes bairros de São Paulo, que reforçam a suspeita de que a riqueza adquirida não condiz com sua renda oficial.

Após sua detenção, o PT decidiu afastar temporariamente Senival Moura do partido, atendendo ao pedido do próprio vereador, para que ele possa focar em sua defesa. A situação será analisada por um comitê de ética que determinará as próximas medidas em relação à filiação do parlamentar ao partido.