O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à Bahia nesta quarta-feira (1º de julho) para uma série de compromissos públicos ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA). Esta será a primeira agenda conjunta entre os dois após a recente operação da Polícia Federal (PF), que investigou supostas irregularidades ligadas ao Banco Master e resultou na saída de Wagner da liderança do governo no Senado.

A visita ocorre uma semana após a oficialização da saída de Wagner da liderança, que foi motivada por pressões internas no Palácio do Planalto e dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). A decisão foi discutida em uma reunião no Palácio da Alvorada, onde Lula e Wagner se encontraram. Fontes próximas ao senador confirmaram sua participação nas atividades na Bahia.

Durante a manhã, Lula e Wagner participarão da inauguração do Hospital Estadual Litoral Norte, localizado em Alagoinhas, além da entrega de 256 veículos do programa Caminhos da Saúde, que inclui ambulâncias do Samu, vans e Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). No período da tarde, o presidente visitará o canteiro de obras da ponte que conectará Salvador à Ilha de Itaparica, em Vera Cruz. A agenda do dia será encerrada com a cerimônia de entrega da terceira e última fase do projeto do Novo Teatro Castro Alves, em Salvador, após três anos de obras.

Contudo, o presidente não participará do tradicional desfile cívico do Dia da Independência da Bahia, que ocorre no dia 2 de julho. Sua ausência foi recomendada por sua equipe médica em decorrência de seu tratamento de radioterapia, que se seguiu à remoção de um carcinoma basocelular no couro cabeludo. Durante sua recuperação, Lula tem aparecido publicamente com um chapéu ou um curativo na cabeça, evitando exposição prolongada ao sol e aglomerações.

O cerne da crise que levou à saída de Wagner da liderança do governo no Senado começou em 18 de junho, quando o senador se tornou alvo de uma operação da PF. As investigações revelaram supostas “vantagens econômicas” recebidas por Wagner em troca de apoio ao Banco Master no Congresso. Entre os itens investigados estão um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e transferências que totalizam R$ 3,5 milhões a pessoas próximas ao senador.

Esse episódio colocou em xeque a imagem de Wagner, que declarou a seus aliados não ter atuado em favor do Banco Master e se considera vítima de injustiça. A defesa do senador recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a operação da PF. Antes do desenrolar da crise, Lula e Wagner haviam se comunicado por telefone, e o senador inicialmente expressou sua intenção de permanecer na liderança do governo, com a saída ficando a cargo de uma decisão do presidente.

Entretanto, a pressão político-partidária levou a uma reavaliação da situação, e tanto o Planalto quanto o PT concluíram que a melhor estratégia seria o afastamento de Wagner da liderança, visando mitigar os danos à imagem do governo e evitar repercussões negativas nas eleições que se aproximam.

Jaques Wagner, que foi governador da Bahia entre 2007 e 2014 e assumiu a liderança do governo no Senado em 2023, é um político de longa data com forte ligação a Lula, com quem compartilha mais de 40 anos de amizade e colaboração política. Ele se prepara para buscar a reeleição ao Senado nas eleições deste ano.

Enquanto isso, Lula intensifica suas atividades em um momento crucial, com o início das restrições eleitorais se aproximando. Na quinta-feira (2), ele deve inaugurar um ramal da transposição do Rio São Francisco e entregar ônibus escolares em várias localidades, visando cumprir com importantes entregas antes do período eleitoral, onde a legislação limita a comunicação governamental.