José Fernandes de Oliveira, amplamente conhecido como Padre Zezinho, é um dos mais influentes comunicadores católicos do Brasil, famoso pela emotiva canção "Oração pela Família", lançada em 1995 e ainda reverberando entre os fiéis. Recentemente, ele lançou sua primeira biografia autorizada, intitulada Apenas Um Cidadão do Infinito: Vida e Missão de Pe. Zezinho, publicada pela editora SCJ 35. Este livro, que originou-se a partir de uma tese da jornalista Gabi Bonvechio, que também o assessora desde 2019, promete trazer à tona aspectos pouco conhecidos da vida deste religioso dedicado à evangelização.

O padre compartilha que, por muito tempo, rejeitou propostas para biografias de jornalistas, pois não se sentia à vontade com a exposição. "Quando a idade chegou, finalmente encontrei a pessoa certa para contar minha história", explica Zezinho, referindo-se a Bonvechio.

Ao recordar os desafios enfrentados ao longo de sua trajetória, incluindo a necessidade de deixar o Brasil em função de suas pregações, o padre demonstra que a sua determinação permanece inalterada. Ele se posiciona de forma assertiva frente a críticas, afirmando: "Não tenho medo, não provoquei ninguém, mas sei como responder. A Igreja e os vulneráveis precisam se defender, mas sempre com respeito".

O equilíbrio entre compaixão e firmeza é um conceito que ele chama de "rumo e prumo", onde se define como um homem que valoriza o diálogo, mas não hesita em estabelecer limites quando sua dignidade ou a dos marginalizados é ameaçada.

Sobre sua postura em relação às questões políticas, Padre Zezinho é claro: "Não me identifico como esquerdista, centrista ou direitista. Sou catequista". Este posicionamento reflete sua intenção de se manter focado em sua missão religiosa, sem se deixar levar por rótulos ideológicos.

Após um acidente vascular cerebral em 2012 e um diagnóstico de câncer de próstata, o padre se distanciou dos palcos, mas reafirma que sua vocação nunca foi voltada para objetivos pessoais, mas sim para a Igreja e seus princípios. Quando perguntado sobre a nova geração de padres que utilizam a internet para engajar fiéis, como Frei Gilson e Fábio de Melo, Zezinho é incisivo: "Nunca busquei fama ou dinheiro. Meu trabalho sempre foi voltado para o serviço da Igreja".

Ele enfatiza que, embora tenha atraído grandes públicos em eventos, seu foco sempre foi a missão. "Não me considero um influenciador. A influência é da Igreja; estou a serviço dela. Não me preocupo com números ou dinheiro. Tenho uma outra perspectiva sobre essa questão".

Por fim, o religioso aborda a evolução da sociedade e como a Igreja deve se adaptar, sem perder de vista seus ensinamentos fundamentais. "Eu compreendo e respeito as diferentes formas de amar e se relacionar, como no caso de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, mesmo que não concorde com elas", conclui, reafirmando seu compromisso com os princípios católicos.