Na última quarta-feira, 2 de setembro de 2026, o deputado federal Carlos Jordy, do PL do Rio de Janeiro e atual vice-líder da Oposição na Câmara, apresentou um pedido formal de impeachment do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento, endereçado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, levanta sérias alegações contra Gonet, especialmente em relação à sua defesa da anulação de investigações que envolvem o caso Moraes-Vorcaro.
O contexto que motivou esta ação ocorreu na terça-feira anterior, quando Gonet requereu a nulidade de um relatório da Polícia Federal que menciona uma suposta proximidade entre Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e Daniel Vorcaro, ex-fundador do extinto Banco Master. O procurador-geral também é mencionado no relatório da PF, que aponta que ele e Vorcaro teriam iniciado um relacionamento durante um evento em Londres, financiado pela instituição financeira mencionada.
Na sua argumentação, Gonet defendeu que a investigação deveria ser considerada nula, alegando abuso de poder por parte do relator do caso, o ministro André Mendonça. Em suas palavras, “a um juiz não cabe acusar, menos ainda realizar investigações pré-processuais, utilizando a polícia judiciária como uma extensão de suas próprias atividades”.
O pedido de impeachment apresentado por Jordy destaca que Gonet teria cometido crimes de responsabilidade, justificando a solicitação com a alegação de que ele agiu de maneira incompatível com a dignidade do cargo, emitiu pareceres quando legalmente suspeito e falhou em cumprir suas obrigações profissionais adequadamente.
Além disso, o deputado mencionou uma viagem a Londres que foi oferecida por Vorcaro ao procurador, incluindo a presença do filho de Gonet, Pedro, nesse contexto. Uma anotação de Vorcaro que menciona “Paulo” também foi citada, levando à suspeita de que se referia a Gonet, embora a Polícia Federal ainda esteja investigando essa possibilidade.
O pedido de impeachment também sugere que Gonet seja proibido de exercer qualquer função pública por um período de até cinco anos, além de solicitar a divulgação de documentos relacionados à viagem e às manifestações assinadas por Gonet em processos ligados ao Banco Master.
Não apenas Carlos Jordy fez essa solicitação. Outros membros da Oposição, como o senador Rogério Marinho e os deputados Marcel Van Hattem e Cabo Gilberto, também protocolaram pedidos semelhantes, afim de que a conduta do procurador Gonet seja investigada. Marinho, por exemplo, já encaminhou uma notícia-crime ao vice-procurador Hindemburgo Chateaubriand, solicitando uma apuração sobre possíveis crimes de responsabilidade cometidos por Gonet.
Por sua vez, o senador Carlos Viana compartilhou em suas redes sociais que pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que afaste Gonet de suas funções, citando sua relação com o Banco Master como um motivo relevante para essa ação.




