Apelo e Realidade dos Maxakali
No Vale do Mucuri, a comunidade Maxakali vive um cenário alarmante, desnudando uma crise humanitária que exige atenção urgente. Durante uma visita de representantes do sistema judiciário, relatos de desnutrição, falta de acesso à saúde e a deterioração do território tradicional foram apresentados, evidenciando a gravidade da situação.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Durval Ângelo Andrade, enfatizou que chegou a hora da ação, ecoando o clamor dos indígenas. A professora Sueli Maxakali sintetizou os sentimentos da comunidade: “Nós só queremos viver”.
Desnutrição e Crise Alimentar
Os Maxakali enfrentam desafios significativos relacionados à alimentação. O pajé Joviel Maxakali lamentou a perda das práticas agrícolas que outrora garantiam a subsistência do povo. “No passado tinha muita roça. O indígena não passava fome. Agora não temos mais nada de roça”, afirmou.
A falta de iniciativas para revitalizar a agricultura tradicional contribui para a insegurança alimentar. Joviel ainda destacou as dificuldades enfrentadas para acessar serviços de saúde, ressaltando que a demora no atendimento pode ser fatal, especialmente para as crianças.
Crise Hídrica e Condições Sanitárias
Outro ponto crítico abordado é a qualidade da água consumida. O professor Marilton Maxakali denunciou que a água disponível chega contaminada, acarretando problemas de saúde. “Todo Maxakali sofre com isso”, declarou, enfatizando a ausência de coleta de lixo, que também agrava a situação sanitária nas aldeias.
Na Aldeia Escola Floresta, o pajé Isael Maxakali expressou a necessidade urgente de um abastecimento de água tratada, relatando que falta até mesmo energia para garantir o acesso à água nas residências.
Impacto da Destruição Ambiental
A destruição da Mata Atlântica no Vale do Mucuri também foi um tema central nas discussões. Sueli Maxakali relacionou a crise social e ambiental, afirmando que a degradação dos recursos naturais impactou diretamente a saúde e a alimentação das crianças. “Quando mataram o nosso direito, mataram também a nossa Mata Atlântica”, lamentou.
Saúde Mental e Suicídios
As lideranças indígenas alertaram sobre o sofrimento psicológico que permeia a comunidade. Marilton ressaltou a necessidade de um atendimento psicológico constante, citando tragédias pessoais, como a perda de dois irmãos para o suicídio. “Precisamos fazer alguma coisa para proteger o povo Maxakali”, apelou.
Denúncias de Exploração Econômica
A exploração econômica também foi denunciada. Marilton relatou que comerciantes da região praticam preços abusivos, aproveitando-se da vulnerabilidade da população Maxakali. A precariedade do transporte para acessar serviços essenciais e bancos também compromete a renda das famílias, dificultando ainda mais a sobrevivência.
Ação Institucional Necessária
O juiz Matheus Moura Matias Miranda, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, confirmou que a mobilização institucional foi desencadeada por um pedido formal de socorro das comunidades indígenas. Segundo ele, há uma necessidade urgente de respostas conjuntas dos três Poderes e das esferas de governo para atender às demandas da comunidade Maxakali.
“Os Maxakali clamam pelo direito mais simples e básico: o direito de viver”, concluiu o magistrado, reafirmando a importância de garantir dignidade e acesso a serviços essenciais para o povo Maxakali.




