O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, expressou sua posição sobre a jornada de trabalho 6 X 1 em uma recente entrevista ao site Poder360. Segundo Noleto, a alteração desse regime é crucial para o futuro econômico do Brasil, afirmando que, sem essa mudança, a atratividade do emprego com carteira assinada poderá ser comprometida.

“A mudança na escala de trabalho é a defesa da economia brasileira. Se não avançarmos, ninguém vai querer ser CLT”, afirmou Noleto, ressaltando que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende abolir essa escala deve ser aprovada no Senado, necessitando apenas de “ajustes pontuais” para atender a setores que poderiam ser impactados.

Noleto destacou que essa discussão é essencial para garantir que o emprego formal se torne uma opção viável e atraente para os jovens, alertando que a falta de mudanças pode comprometer o sistema econômico do país. “Se o sistema quebrar, quem comprará da indústria? É fundamental fortalecer a carteira assinada e a contribuição previdenciária para manter o sistema em funcionamento”, disse.

Tarifas dos EUA e seu impacto nas relações comerciais

Acerca das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, a ABDI vê a situação como uma “guerra comercial”. Noleto afirmou que o governo brasileiro busca manter boas relações com os americanos, mas criticou a postura de representantes do segundo escalão do governo dos EUA, que têm atribuído falsas informações ao Brasil.

De acordo com o presidente da ABDI, essa tensão pode, paradoxalmente, fortalecer o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. “As dificuldades criadas pelos EUA podem ser vistas como uma oportunidade para acelerar a construção desse acordo, pois a geopolítica está mudando”, comentou Noleto.

Posições sobre Privatizações e Juros

Em relação à recente declaração do candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, sobre a privatização da Petrobras e do BNDES, Noleto foi incisivo: “É uma ideia irresponsável. O setor produtivo brasileiro não suportaria tal medida”. Segundo ele, a venda dessas instituições colocaria em risco a capacidade de financiamento da indústria nacional.

Além disso, Noleto abordou a questão dos juros elevados no Brasil, que representam um grande desafio para os empresários. “A taxa Selic atual não é justificada pelas condições econômicas do país. É preciso que os juros diminuam para que possamos ter um ambiente de negócios mais favorável”, afirmou, lembrando que o Comitê de Política Monetária (Copom) já havia feito cortes consecutivos na taxa Selic, que agora está em 14% ao ano.

Em suma, a ABDI, sob a liderança de Olavo Noleto, está atenta às transformações necessárias para a economia brasileira, defendendo mudanças na legislação trabalhista e estratégias comerciais que possam impulsionar o crescimento e a competitividade do país no cenário global.