Em uma manobra de ampliação da pressão política sobre o comando do Poder Legislativo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) articulou um ato no reduto electoral do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A manifestação, realizada na Concha do Araxá, na capital amapaense, teve como eixo central a exigência pelo avanço dos requerimentos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Acompanhado por apoiadores e vestindo uma camiseta com os dizeres “Acorda Amapá”, o parlamentar mineiro discursou em tom incisivo contra o cacique político local. Durante a sua alocução, Ferreira defendeu que o eleitorado do estado não deve mais se submeter às práticas da política tradicional e puxou coros de contestação direta à liderança do presidente do Senado na região.
Ataques à infraestrutura e aos índices de criminalidade
Além do contraponto no campo institucional e judiciário, o deputado direcionou fortes críticas à gestão dos problemas sociais e urbanos do estado do Amapá. Ferreira enfatizou fragilidades históricas do município de Macapá, citando dados de saneamento básico para expor a ausência de cobertura de esgoto para a maioria dos moradores, além de atribuir à influência política local os altos índices de violência registrados no território amapaense.
A investida do setor oposicionista no berço político de Alcolumbre insere-se em um contexto de escalada de tensão entre o Congresso e o STF. A cobrança sobre a mesa diretora do Senado ganhou tração recente após a divulgação de diálogos envolvendo o magistrado da Corte Suprema e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Impasse institucional sobre os pedidos de impeachment
O cenário coloca o presidente do Senado no centro de um delicado impasse político. Atualmente, repousam sobre a mesa da presidência da Casa mais de uma centena de representações requerendo a abertura de processos de cassação de magistrados do STF. O próprio Alcolumbre já chegou a classificar o volume de 109 pedidos acumulados como um quadro fora da normalidade institucional.
A despeito das manifestações de rua e do cerco promovido pela ala conservadora do Congresso, o comando do Senado tem mantido uma postura de cautela, evitando sinalizar qualquer previsão de abertura ou encaminhamento formal das petições contra os membros da Suprema Corte.


