A Federação União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas (PP), optou por permanecer neutra na atual disputa pela presidência do Brasil. No entanto, as coligações formadas em nível estadual revelam uma tendência mais próxima ao Partido Liberal (PL).

Um levantamento realizado pelo Metrópoles, com base nas atas das convenções, indica que a federação está em parceria com o PL em 11 estados, enquanto colabora com o PT e a Federação Brasil da Esperança em quatro situações diferentes.

A decisão de neutralidade foi ratificada durante a convenção nacional do União Brasil, ocorrida na terça-feira, 4 de agosto. Segundo o presidente da sigla e da federação, Antonio Rueda, essa escolha foi motivada pela reflexão sobre o “peso político” da união e a demonstração de “maturidade política” do grupo.

Além disso, a federação liberou seus filiados para que decidam sobre apoio conforme as circunstâncias em cada estado, priorizando acordos locais. Essa estratégia é uma prática comum entre partidos do Centrão, que, ao não firmar uma aliança nacional em torno de um candidato, preservam a liberdade de negociar diferentes acordos em cada unidade da federação.

Historicamente, partidos de centro têm adotado posturas de neutralidade ou liberado seus membros para apoiar candidatos variados nas eleições presidenciais, como aconteceu nas eleições de 2018 e 2022.

O PL, em busca de apoio, tentou integrar a federação em suas fileiras, inclusive sondando a ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) para a chapa presidencial. Contudo, essa proposta foi rejeitada pela liderança do PP.

Coligações e Candidaturas

Ainda que mantenha a neutralidade em relação à presidência, as alianças da União Progressista com o PL estão estabelecidas em estados como Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins.

  • Acre: Mailza Assis (PP) é a candidata da federação, que se junta ao PL e outros partidos na coligação “Avança Acre”.
  • Bahia: ACM Neto (União Brasil) lidera uma aliança que inclui o PL e outros partidos.
  • Alagoas: A federação apoia o PL na disputa ao Senado, embora não tenha candidato próprio ao governo.
  • Ceará: A União Progressista ocupa a vice na coligação “Unir para Mudar”, junto ao PL e outros.
  • São Paulo: Não há candidato próprio, mas a federação faz parte de uma ampla aliança com diversas legendas.

O PT, por sua vez, também conta com a União Progressista em coligações nos estados do Amapá, Pará, Paraíba e Sergipe, consolidando parcerias com a Federação Brasil da Esperança.

Nos estados do Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Santa Catarina, a federação não formou alianças nem com o PL nem com o PT, optando por candidaturas próprias em algumas regiões.

Conclusão

O cenário político atual revela que a União Progressista está adotando uma abordagem cautelosa, buscando maximizar sua influência em várias esferas sem se comprometer completamente com um único candidato à presidência. Essa estratégia pode permitir ao grupo uma posição mais flexível, facilitando negociações futuras com o presidente eleito, seja qual for o resultado das eleições.