Operação Policial Desvenda Fraude Bilionária na Naskar

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (22/7), uma operação que culminou na prisão de três co-fundadores da Naskar, uma fintech envolvida em um esquema que lesou milhares de investidores, com um prejuízo estimado em R$ 900 milhões. A situação se complicou ainda mais com a descoberta de que o controle da empresa foi transferido para uma viúva de 77 anos, moradora de Uberlândia (MG), em um movimento que levantou suspeitas sobre a intenção de proteger bens patrimoniais.

Os Detalhes da Operação

Os fundadores Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, ex-jogador de vôlei, foram detidos em São Paulo durante a ação da PCDF. De acordo com as investigações, a Naskar prometia rendimentos superiores a 2% ao mês, um percentual que estava muito além do que o mercado financeiro tradicional oferecia, até que os pagamentos foram interrompidos em maio deste ano.

Transferência Suspeita de Controle

Documentos obtidos pela investigação apontam que, antes da operação, uma série de alterações societárias foi realizada, culminando na transferência do controle da empresa para Célia de Fátima Ferreira, a idosa mencionada. A transação foi formalizada com cláusulas de impenhorabilidade e incomunicabilidade, instrumentos legais que dificultam a penhora de bens. Este movimento é visto por especialistas como uma possível estratégia para proteger os ativos da fintech.

Quem é o Comprador?

Curiosamente, a aquisição da Naskar foi formalmente atribuída a Douglas Silva de Oliveira, um jovem de 25 anos, que se tornou conhecido por alterar legalmente seu sobrenome para “Azara”, em referência à suposta gestora norte-americana que, na narrativa oficial, teria comprado a empresa por R$ 1,2 bilhão. A investigação descobriu que Douglas tinha uma renda mensal declarada de apenas R$ 1,8 mil e um histórico de problemas judiciais, incluindo processos por despejo e estelionato.

Dívidas da Família e Questões Financeiras

A nova gestão da Naskar levanta dúvidas sobre a solidez financeira da família de Douglas, que, segundo documentos judiciais, acumulou dívidas superiores a R$ 1 milhão desde 2022. Em 2023, Douglas enfrentou uma ação de despejo por falta de pagamento de aluguel. Apesar disso, empresas associadas à sua família começaram a operar com alegações de capital bilionário, sem a devida autorização do Banco Central.

Investidores Prejudicados e Promessas Vazias

Enquanto isso, milhares de investidores permanecem sem respostas ou ressarcimentos. A Naskar, após interromper seus serviços, direcionou as vítimas a um atendimento automatizado que exige dados pessoais sob a promessa de futuros pagamentos. Especialistas alertam para os riscos associados a essa prática, que pode infringir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Um Padrão de Vida Incongruente

Nos dias que antecederam a operação policial, Douglas foi visto em redes sociais frequentando festas luxuosas, o que contrasta fortemente com sua renda declarada. Informações recentes indicam que ele pode estar em Dubai, levantando mais interrogações sobre sua verdadeira situação financeira.