Uma polêmica envolvendo o empresário Leandro Batista Nóbrega, conhecido por seu frigorífico Goiás e pela famosa "Picanha de Bolsonaro", ganhou destaque após uma mulher trans, identificada como Aline*, registrar uma queixa contra ele. Segundo seu relato, o empresário teria não apenas se negado a pagar pelos serviços prestados, mas também feito ameaças após um desentendimento durante o encontro.

A acusação foi formalizada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em 15 de junho, poucas horas após o incidente. Aline* explicou que a confusão surgiu em razão de expectativas divergentes sobre o tipo de serviço que Leandro desejava.

Leandro Nóbrega, que possui laços com figuras políticas da direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, ganhou notoriedade através de suas ações de marketing, vídeos de churrascos e polêmicas nas redes sociais. Seu perfil no Instagram conta com 2,5 milhões de seguidores, enquanto sua conta pessoal tem quase 1 milhão.

De acordo com o boletim de ocorrência, Aline* afirmou que Leandro a havia contatado anteriormente e que ela percebeu que uma conta ligada ao frigorífico frequentemente visualizava suas postagens. O encontro foi marcado via WhatsApp e ocorreu em seu apartamento, onde Aline* prestou serviços de acompanhante por cerca de uma hora.

Durante a prestação do serviço, Aline* revelou que Leandro não ficou satisfeito com a dinâmica do encontro, pois desejava assumir uma posição passiva, algo que ela não oferece. Após reconhecer o empresário, surgiram questionamentos sobre postagens transfóbicas feitas por ele nas redes sociais, o que levou a uma discussão acalorada entre ambos. Aline* registrou a conversa em vídeo, onde abordou as atitudes transfóbicas de Leandro e as implicações de suas falas.

Após o desentendimento, Aline* relatou que Leandro tentou convencê-la a não divulgar o vídeo, oferecendo dinheiro como forma de suborno, proposta que foi prontamente recusada. Ela enfatizou que nunca solicitou dinheiro em troca de silêncio e que, em resposta à negativa, Leandro a acusou de extorsão. Segundo Aline*, o empresário a ameaçou, afirmando possuir recursos para fazer o que quisesse com ela.

Além de sua crescente notoriedade nas redes sociais, Leandro Nóbrega se tornou um alvo de críticas por suas postagens com teor transfóbico, incluindo comentários desrespeitosos a respeito de mulheres trans. Ele também foi processado por discriminação após exibir um cartaz em seu frigorífico afirmando que "petistas não são bem-vindos", uma ação que a Justiça posteriormente ordenou a retirada.

Em suas publicações, Leandro promove não apenas cortes de carne, mas também se aproxima de figuras como Jair Bolsonaro e Donald Trump, utilizando até imagens destas personalidades em sua propaganda. Suas ações, no entanto, não se restringem apenas ao marketing, pois suas declarações e postagens têm gerado controvérsia, especialmente entre a comunidade LGBTQIA+.

Embora tentativas de contato tenham sido feitas para obter uma resposta de Leandro e do Frigorífico Goiás sobre as acusações, não houve retorno. O empresário, por sua vez, bloqueou a coluna após tentativas de comunicação, mas o espaço permanece aberto para eventuais comentários.