Fraude Imobiliária em Santa Catarina
Um esquema criminoso de grande escala foi desmantelado em Santa Catarina, revelando a participação do bicheiro foragido Bernardo Bello. A investigação, liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), aponta que um grupo de empresários estava à frente da venda irregular de apartamentos de luxo em São Bento do Sul.
O empreendimento, denominado Neo Garden, funcionou por quase quatro anos sem o devido registro de incorporação, configurando-se como uma pirâmide imobiliária. Nesse modelo, o capital de novos investidores era utilizado para cobrir os fluxos de caixa enquanto as mesmas unidades eram vendidas para múltiplos compradores.
Estratégias de Engano e Conexões com o Crime Organizado
Os investigadores descobriram que, para dar credibilidade ao negócio, os envolvidos mantinham uma loja em um shopping de destaque na cidade. A conexão com o crime organizado do Rio de Janeiro foi evidenciada através da análise de mensagens de celular de dois empresários, Angelo Luiz Duvoisin e Felipe Facco Seroque, que estão atualmente presos.
As comunicações interceptadas indicam que Bello não apenas era um contato, mas sim o líder que coordenava as operações do grupo. Mensagens revelaram como ele ditava as ordens a partir de Curitiba através de um operador chamado Daniel Adler, que utilizava diversos números para se comunicar, organizando transferências financeiras significativas e instruções operacionais.
Operações Financeiras e Consequências Legais
Os diálogos capturados mostram que havia um plano para transferir R$ 10 milhões em um único movimento, além de orientações para movimentar valores em espécie para evitar a detecção pelas autoridades reguladoras. Os registros indicam que Bello tinha um escritório na Avenida Faria Lima, em São Paulo, onde reuniões com os empresários eram frequentes.
A investigação do Gaeco também se deparou com diversas vítimas que somam perdas de cerca de R$ 4 milhões, embora os promotores considerem que o número total de vítimas pode ser bem maior. Muitas pessoas foram atraídas pela promessa de apartamentos de luxo, sem saber que o projeto não tinha a devida legitimidade.
Impactos e Desenvolvimentos Futuros
O sistema de “carrossel” que o grupo usava incluía a venda de imóveis que não existiam e a duplicação de vendas, resultando em um emaranhado de vítimas. Vídeos promocionais do projeto mostravam um condomínio completo com várias amenidades, mas as obras foram interrompidas e, segundo informações, não houve retomada efetiva.
A defesa dos indivíduos citados na investigação ainda não foi encontrada para comentar as alegações. A situação se complica para os envolvidos, uma vez que a conexão com o crime organizado pode resultar em acusações ainda mais gravosas.




