Um estudo recente divulgado na revista npj Aging trouxe à luz os benefícios da hesperetina, um composto presente em frutas cítricas como laranja, limão e lima. Os pesquisadores descobriram que essa substância pode atuar na redução dos sinais de envelhecimento do fígado, um órgão vital para diversas funções do corpo humano.

A pesquisa, realizada em camundongos, demonstrou que animais mais velhos tratados com hesperetina apresentaram melhorias significativas em marcadores de saúde hepática. O fígado, responsável por processar nutrientes e eliminar toxinas, sofre uma diminuição em suas funcionalidades com o avanço da idade, o que pode levar a complicações como o acúmulo de gordura.

Como a hesperetina age no organismo?

Os cientistas concentraram suas análises em um gene chamado Cisd2, que está envolvido na regulação do metabolismo e na longevidade celular. Com o passar do tempo, a atividade desse gene tende a cair, contribuindo para a deterioração das funções hepáticas. Durante o experimento, camundongos idosos foram submetidos a doses diárias de hesperetina por um período de cinco meses. No final do tratamento, os níveis de Cisd2 no fígado dos animais tratados se aproximaram dos encontrados em camundongos jovens.

Além disso, os resultados indicaram uma diminuição significativa na gordura hepática, inflamações e danos celulares nos animais que receberam o composto. Em uma fase posterior da pesquisa, os cientistas também verificaram que a eficácia da hesperetina está diretamente ligada à presença do gene Cisd2, pois camundongos geneticamente modificados para não expressar esse gene não apresentaram melhorias quando tratados.

Resultados preliminares e próximos passos

As análises adicionais revelaram que a hesperetina também influencia a atividade de outros genes, aproximando o funcionamento do fígado de um padrão mais jovem. Os pesquisadores identificaram a participação de proteínas que regulam o metabolismo neste processo. Além disso, foram analisadas amostras de fígado humano, que mostraram que a atividade de genes relacionados diminui com a idade, sugerindo que mecanismos semelhantes podem ocorrer nos seres humanos.

Apesar dos achados promissores, os testes foram realizados apenas em modelos animais. Não existem evidências conclusivas de que os mesmos efeitos ocorram em humanos, nem sobre a dosagem segura da substância. Os autores reforçam a necessidade de mais estudos antes da aplicação clínica, mas apontam que a hesperetina pode ser uma candidata para futuras pesquisas voltadas à preservação da saúde do fígado.