O ministro de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, fez declarações contundentes na última segunda-feira (31 de agosto de 2026) ao afirmar que as gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18 foram "exportadas" para o seu país pelos Estados Unidos. Segundo Villatoro, essas organizações criminosas não têm origens em El Salvador, mas surgiram como resultado das deportações maciças de salvadorenhos após a guerra civil que assolou o país entre 1979 e 1992.

A afirmação do ministro foi feita durante uma conferência sobre segurança pública realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em São Paulo. Villatoro destacou que, na década de 1990, o povo salvadorenho não tinha conhecimento sobre a existência de tais gangues. "Embora se chamem Mara Salvatrucha ou Barrio 18, não nasceram em El Salvador. Isso foi uma exportação pós-guerra que os Estados Unidos fizeram quando começaram a deportar salvadorenhos", declarou.

O ministro explicou que, segundo a lógica das autoridades norte-americanas, os deportados deveriam retornar ao seu país após a assinatura do acordo de paz, sem considerar as consequências sociais e de segurança que isso acarretaria. Villatoro enfatizou que essa atitude reflete a falta de responsabilidade dos EUA sobre os problemas que surgiram na região.

Além de abordar a origem das gangues, Villatoro traçou um panorama histórico do avanço da criminalidade em El Salvador, caracterizando a guerra civil como um conflito imposto por "duas grandes potências covardes". Ele criticou a política de "perdão e esquecimento" que seguiu ao fim da guerra, a qual, segundo ele, impediu a responsabilização de criminosos de guerra e contrastou com ações adotadas em outros países europeus após conflitos armados.

O ministro também mencionou a revogação de legislações importantes nos anos 1990 que facilitaram a ascensão das gangues. Ele citou a revogação em 1994 de uma lei que dava à polícia instrumentos para manter a ordem, além da aprovação da Lei do Menor Infrator, que permitia que jovens infratores, se capturados, escapassem de punições. Villatoro ainda criticou o novo Código Penal e o Código Processual Penal, considerando-os inadequados para enfrentar organizações criminosas estruturadas.

Na conferência, o ministro também discutiu o regime de exceção instaurado pelo presidente Nayib Bukele como uma estratégia no combate ao crime organizado. Ele ressaltou que essa medida não deve ser vista como uma solução isolada, mas como uma ferramenta constitucional necessária para enfrentar o chamado "Estado criminal paralelo". "Um regime de exceção não oferece soluções mágicas, mas é uma declaração de guerra a um estado criminal que opera em paralelo ao governo", afirmou Villatoro.