ONG Instituto Conhecer Brasil Sob Suspeita de Irregularidades

A Organização Não Governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil (ICB) está sendo alvo de investigações após a identificação de irregularidades em documentos enviados ao Ministério da Justiça. A entidade, que foi contratada pela Prefeitura de São Paulo para um projeto de instalação de pontos de wi-fi, no valor de R$ 108 milhões, está sob os holofotes das autoridades devido a possíveis desvios de recursos.

Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB, protocolou um pedido em fevereiro deste ano para que a organização fosse reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Este reconhecimento é crucial para que a entidade possa obter recursos públicos e demonstrar que não possui fins lucrativos. Entretanto, a primeira análise da documentação pelo Ministério não foi favorável, uma vez que o órgão solicitou ajustes no estatuto social da ONG.

No dia 29 de março, um parecer técnico foi emitido, apontando que o ICB não estava em conformidade com a legislação vigente. O parecer destacou que a entidade permitia que seus associados se beneficiassem de serviços, o que contraria a Lei nº 9.790/99, que proíbe essa prática. Após a notificação, foi dado um prazo de 60 dias para que a ONG realizasse as alterações necessárias.

Aumento de Receitas e Suspeitas de Desvios

As investigações revelaram que o faturamento da ONG aumentou drasticamente nos últimos três anos, passando de R$ 306 mil em 2022 para impressionantes R$ 54 milhões projetados para o final de 2025. Esse crescimento acentuado coincide com a contratação do ICB pela Prefeitura de São Paulo, levando a suspeitas de que os recursos públicos poderiam ter sido utilizados de forma inadequada.

Além de sua função no ICB, Karina Ferreira da Gama é também sócia da Go Up Entertainment, a produtora do filme Dark Horse, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania investiga a possibilidade de que os fundos públicos destinados ao projeto de wi-fi tenham sido desviado para financiar a produção cinematográfica.

Detalhes da Investigação

Em uma movimentação recente, a Polícia Civil realizou operações para investigar a ONG e a produtora. A promotora Marina de Azevedo Pedersolli mencionou que os fatos apurados envolvem potenciais crimes licitatórios, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Documentos financeiros revelaram que a maior parte da receita da ONG foi direcionada a “serviços de terceiros”, sem especificações claras sobre os gastos. Essas despesas levantam dúvidas sobre a transparência e o uso correto dos recursos públicos, especialmente considerando que a entidade subcontratou várias empresas para executar o projeto de wi-fi.

Resposta da Go Up Entertainment

A Go Up Entertainment negou as alegações de que os fundos recebidos pela Prefeitura de São Paulo foram utilizados para a produção do filme Dark Horse. A produtora afirmou que o custo total do filme foi de R$ 75 milhões, sendo que os gastos foram detalhados em uma perícia privada, que também foi anexada aos autos do inquérito.

Conclusão

O caso continua sob investigação e o Ministério da Justiça, assim como outras autoridades competentes, monitora de perto o desdobramento das irregularidades apresentadas pelo Instituto Conhecer Brasil. Enquanto isso, a sociedade aguarda por esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos e a real situação da ONG.