Belo Horizonte – Em um passo significativo para a valorização do patrimônio gastronômico mineiro, o Governo de Minas Gerais anunciou, na última segunda-feira (29/6), a formalização do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do Requeijão Moreno Artesanal. Essa nova diretriz é considerada um divisor de águas para os fabricantes da iguaria, ao estabelecer padrões de produção que respeitam as tradições locais e garantem a segurança alimentar.
A assinatura do documento foi realizada pelo governador Mateus Simões (PSD) durante uma cerimônia que marcou a transferência provisória da capital do estado para Montes Claros, região reconhecida pela sua tradição na produção do Requeijão Moreno. O regulamento, desenvolvido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), surgiu após uma consulta pública e tem como objetivo preservar a receita histórica, ao mesmo tempo em que introduz critérios de qualidade e boas práticas de fabricação.
Com a implementação dessa regulamentação, os produtores mineiros poderão formalizar suas atividades e expandir suas operações, alcançando novos mercados fora do estado. A medida promete também oferecer aos consumidores produtos com garantias de qualidade e segurança em sua fabricação. O governador enfatizou que essa iniciativa representa um avanço significativo para a economia local e uma valorização do trabalho artesanal.
Expansão do Mercado e Valorização Cultural
Segundo Mateus Simões, a certificação do Requeijão Moreno Artesanal permitirá que o produto ganhe projeção em novos mercados, além de incrementar a renda dos produtores e destacar as características únicas do queijo da Serra Geral e do Norte de Minas. Essa distinção se torna ainda mais relevante ao considerar que o queijo produzido nessa região possui características que o diferenciam de outros semelhantes de Minas Gerais.
Thales Fernandes, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, classificou a regulamentação como uma vitória histórica para os produtores, ressaltando que essa ação reforça a identidade cultural do Requeijão Moreno e abre novas possibilidades de comercialização em todo o Brasil.
Um Patrimônio Gastronômico
O Requeijão Moreno Artesanal é um símbolo da culinária mineira, com séculos de tradição. Ele se destaca pela sua consistência firme, coloração que varia entre o amarelo e o marrom, textura homogênea e um sabor levemente defumado. Todos esses aspectos serão mantidos com a nova regulamentação, que não apenas preserva as características do produto, mas também impulsiona a economia das regiões onde é produzido.
Dados da Emater-MG indicam que as principais áreas de produção estão localizadas em Montes Claros, Serra Geral do Norte de Minas, Almenara e Salinas. Municípios como Serranópolis de Minas, Porteirinha, Riacho dos Machados e Mato Verde são reconhecidos por suas contribuições a essa cadeia produtiva, que é vital para a geração de renda na região.
Construção da Regulamentação
A criação do RTIQ foi iniciada em 2023, após solicitações da Associação dos Produtores de Queijo da Microrregião da Serra Geral. O desenvolvimento desse regulamento contou com a colaboração da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Emater-MG, Epamig e o Instituto Mineiro de Agropecuária. Essa regulamentação surge apenas um mês após a oficialização do RTIQ do Requeijão Moreno produzido no Vale do Mucuri, ressaltando que, apesar do nome similar, as receitas e os processos de fabricação são distintos, especialmente no que diz respeito ao uso de bicarbonato de sódio e manteiga de garrafa, que conferem ao produto características únicas.




