A reta final do processo eleitoral em Minas Gerais desenha contornos de estabilidade na disputa pelo comando do Poder Executivo estadual, ao mesmo tempo em que projeta intensa imprevisibilidade no pleito para o Congresso Nacional. Levantamento conduzido pelo instituto Datafolha confirma a manutenção da vantagem do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que se mantém isolado no topo das intenções de voto para o governo de Minas, sustentando uma trajetória que pode definir a eleição sem a necessidade de segundo turno.

Dominância na corrida ao Palácio Tiradentes

Conforme os dados do mais recente levantamento, Cleitinho alcança 40% da preferência do eleitorado mineiro. O segundo posto é ocupado pelo deputado federal Patrus Ananias (PT), que registra 15%, seguido pelo ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT), apontado por 9% dos entrevistados. O contingente de eleitores indecisos, fixado em 10%, converte-se no principal ativo disputado pelas campanhas que tentam forças para levar a decisão à segunda rodada de votação.

O quadro das demais candidaturas reflete a pulverização do eleitorado estadual:

  • Mateus Simões (PSD): 5%
  • Flávio Roscoe (PL): 5%
  • Gabriel Azevedo (MDB): 3%
  • Túlio Lopes (PCB): 2%
  • Outros postulantes (Ben Mendes, Henrique Áreas, Rafael Duda e Indira Xavier): 1% cada

Articulações partidárias e palanques divididos

A configuração dos palanques em território mineiro expõe divisões estratégicas no campo da direita e tentativas frustradas de aliança na esquerda. A escolha do Partido Liberal (PL) por Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, ocorreu após ruídos na aliança inicial com Cleitinho e preterição de nomes internos de maior apelo. Apesar das agendas com lideranças nacionais do bolsonarismo, Roscoe enfrenta a resistência velada de quadros do próprio partido, que inclinam apoio informal a Cleitinho.

No espectro progressista, o Partido dos Trabalhadores buscou recompor pontes com Alexandre Kalil antes de optar por uma chapa própria encabeçada por Patrus Ananias. Paralelamente, a tentativa do governador Mateus Simões de consolidar o apoio conservador esbarrou em diretrizes nacionais decorrentes da pré-candidatura do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República.

Equilíbrio extremo na briga pelas cadeiras no Senado

Se o cenário para o governo sugere consolidação, a disputa pelas duas vagas ao Senado Federal reserva forte dramaticidade. A deputada federal Marília Campos (PT) encabeça a pesquisa com 13%, figurando em situação de empate técnico com o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e o senador Carlos Viana (PSD), ambos com 11%.

A margem de erro, estimada em três pontos percentuais, mantém igualmente competitivo o deputado Domingos Sávio (PL), que registra 9%. Correndo por fora na margem de alcance, aparecem Marcelo Aro (PP), com 6%, e Áurea Carolina (PSol), com 5%, o que confirma a indeterminação que deve prevalecer até a abertura das urnas.