O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou uma declaração no último sábado (25/7), negando veementemente as alegações de que a visita de dois de seus oficiais ao Brasil tinha como alvo desacreditar as eleições que se aproximam. Segundo a nota oficial, as insinuações sobre uma suposta 'conspiração' para afetar o processo democrático seriam totalmente infundadas.

Em um comunicado enviado ao portal Metrópoles, as autoridades afirmaram: 'Qualquer insinuação de uma 'conspiração' para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira infundada. Tratou-se de uma visita de rotina.' O governo brasileiro, por sua vez, havia negado a concessão de visto aos oficiais que planejavam realizar uma missão no país.

Conforme noticiado pelo The Washington Post, a missão visava supostamente levantar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Os oficiais designados para essa tarefa eram Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto do mesmo departamento.

O Departamento de Estado informou que a visita programada para ocorrer de 27 a 30 de julho tinha como objetivo reuniões com autoridades locais, líderes religiosos e representantes da sociedade civil. As pautas incluíam discussões sobre integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão.

Fontes do governo brasileiro relataram que os oficiais dos EUA se encontrariam com Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência, além de representantes eleitorais, para abordar questões vinculadas à liberdade de expressão e ao processo eleitoral agendado para outubro.

No entanto, o clima de desconfiança aumentou após Flávio Bolsonaro levantar questões sobre a segurança das urnas eletrônicas. Em uma reunião com embaixadores de aproximadamente 40 países, ele mencionou um suposto relatório da CIA que indicaria fraudes nas eleições, citando a empresa Smartmatic, com sede na Venezuela, como uma das responsáveis.

Bolsonaro afirmou: 'Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic tenha sofrido uma programação para alteração das votações naquele país.' Ele se referiu a alegações de 2012, sem entrar em mais detalhes sobre a natureza das suspeitas.

Em resposta às alegações levantadas, Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu o sistema eleitoral brasileiro em uma reunião anterior com embaixadores. Ele ressaltou a importância do voto universal e declarou que: 'O Brasil desenvolveu uma das mais sofisticadas estruturas de integridade eleitoral existentes no mundo.' Nunes enfatizou que, diante da urna, todas as diferenças sociais se anulam, garantindo que cada voto tenha o mesmo peso.