A Reorientação da Política Externa Brasileira sob o Bolsonarismo
A política externa brasileira, sob a influência do bolsonarismo, tem mostrado uma tendência alarmante de priorizar as relações com os Estados Unidos em detrimento de questões fundamentais como saúde, educação e segurança. Flávio Bolsonaro, em suas declarações, parece ignorar problemas internos cruciais ao focar incessantemente na figura do ex-presidente Donald Trump e na crítica ao PT e seu líder, Lula.
A recente visita de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos, em meio à Copa de 2026, trouxe à tona uma série de decisões desastrosas, incluindo tarifas e sanções, além de ameaças ao sistema de pagamentos Pix. Essas ações, que colocam grupos criminosos na mesma categoria de terroristas, são apenas alguns dos erros que têm marcado essa nova abordagem.
O bolsonarismo parece insistir em uma narrativa que remete à época em que o Brasil se alinhava automaticamente à política externa dos EUA. Durante seu mandato, Jair Bolsonaro frequentemente demonstrou lealdade à agenda de Trump, mesmo em questões sensíveis que afetam a autonomia do Brasil no cenário internacional, como as relações com a China e questões ambientais.
Um dos momentos mais emblemáticos desse alinhamento foi a continência de Bolsonaro à bandeira americana durante a execução do hino nacional dos EUA. O ex-chanceler, Ernesto Araújo, também rompeu com a tradição de autonomia que caracterizava a atuação do Itamaraty, levando o Brasil a uma dependência exacerbada das diretrizes americanas.
Além disso, figuras como Sergio Moro e Deltan Dallagnol, durante a Operação Lava Jato, fomentaram uma colaboração intensa com autoridades norte-americanas, algo que historicamente era criticado por diversos setores da sociedade. As denúncias de violações de direitos humanos, que antes eram direcionadas a organismos multilaterais como a ONU, agora parecem ter se deslocado para o Congresso dos EUA, onde o bolsonarismo tenta convencer parlamentares de que o Brasil não é mais uma democracia.
O contexto atual revela uma continuidade de uma política externa dependente, que remete ao período da ditadura militar e do golpe de 1964. Setores da sociedade, incluindo militares, têm defendido uma aproximação com o conservadorismo americano, utilizando o discurso anticomunista para legitimar seus projetos internos.
Embora no passado a balança comercial e os empréstimos tivessem fundamentado essa aliança, o cenário global atual, marcado pelo multilateralismo e pelas relações com a China, alterou essa dinâmica. Hoje, a justificativa para tal submissão parece se restringir ao poderio bélico.
O problema central da postura bolsonarista reside no fato de que ela desafia a Constituição. O artigo 4º estabelece que as relações internacionais do Brasil devem ser guiadas pela independência nacional e pela não intervenção de outros Estados. Isso implica que as questões políticas internas devem ser resolvidas através de instituições como o Congresso, o Judiciário e o Ministério Público, sem a interferência de governos estrangeiros.
O discurso de “Brasil acima de tudo” soa, portanto, como uma contradição diante da realidade de uma política externa que busca auxílio e legitimação em potências estrangeiras. O que se vê é uma tentativa de promover uma agenda familiar que, em última análise, coloca a família Bolsonaro em uma posição de destaque, além das questões nacionais que deveriam ser prioritárias.




