Em meio a crescentes tensões nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça manteve o sigilo sobre as informações extraídas do telefone celular de Daniel Vorcaro, criador do Banco Master. De acordo com a avaliação do magistrado, a divulgação ampla e irrestrita dos dados armazenados no dispositivo provocaria um cenário de tumulto no ambiente processual e colocaria em sério risco o andamento e o êxito das investigações em curso.

Acesso ao acervo e diretrizes da Corte

A manifestação de Mendonça ocorre em um momento crítico, antecipando a sessão deliberativa agendada para a próxima terça-feira. O relator garantiu que todo o conjunto de elementos probatórios necessários para o exame da causa está plenamente acessível aos demais integrantes da Suprema Corte, registrando ainda a liberação de consulta a 53 processos correlacionados à matéria do Banco Master.

Em seu despacho, o ministro fez referência direta ao presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, respaldando-se na premissa de que a relevância e a severidade dos fatos em apuração exigem estrito respeito ao devido processo legal. Na visão do magistrado, o caso não comporta a adoção de atalhos jurídicos nem manobras que divirjam do objetivo fundamental da prestação jurisdicional.

Divergência entre os magistrados e atuação da Polícia Federal

O posicionamento de Mendonça expõe uma clara divisão de entendimentos dentro do STF. Um grupo formado pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes já havia sinalizado apoio ao compartilhamento integral dos registros do aparelho celular com todos os gabinetes previamente ao julgamento.

Por outro lado, o braço executivo da investigação garantiu viabilidade operacional para eventual compartilhamento. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou formalmente que a corporação detém capacidade técnica e estrutura adequadas para efetuar a cópia do acervo digital do telefone de Vorcaro e encaminhá-la aos ministros, caso receba ordem judicial nesse sentido.