Mário Frias e o Caso "Dark Horse" no STF
O deputado federal Mário Frias, do PL-SP, apresentou na última sexta-feira, 28 de agosto de 2026, uma questão de ordem ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. O objetivo do pedido é a redistribuição da investigação a respeito do financiamento do filme "Dark Horse" do ministro Flávio Dino para o colega André Mendonça, alegando que este último é o juiz natural do caso.
Na fundamentação do pedido, a defesa de Frias defende que Mendonça já conduz outras investigações ligadas aos mesmos fatos, sugerindo uma conexão direta entre os casos. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que abrange a questão do orçamento secreto, de número 854, foi citada como um exemplo de como o processo atual poderia estar se desviando de sua finalidade original e se tornando um meio de investigação criminal.
Controvérsias em Torno da ADPF 854
A ADPF 854 questiona a transparência nas práticas do Legislativo e do Executivo em relação às emendas parlamentares, levantando preocupações sobre a legalidade na destinação de recursos. A defesa argumenta que o procedimento atual permitiu que qualquer pessoa registrasse queixas e iniciasse investigações, o que, segundo eles, fere o direito ao juiz natural, garantido pela Constituição.
Frias é o produtor-executivo do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, e enfrenta alegações de que utilizou emendas de maneira irregular. De acordo com reportagens, conversas entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o senador Flávio Bolsonaro revelaram pedidos de financiamento para o filme.
Implicações na Cena Política
A crescente relevância do caso está diretamente ligada ao contexto eleitoral, onde Flávio Bolsonaro se posiciona como um dos principais concorrentes do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir das mensagens vazadas de Vorcaro, o STF já recebeu oito pedidos de investigação, sendo que sete deles estão sob a relatoria de Mendonça.
O ministro Flávio Dino, que atualmente cuida de um único pedido de investigação, não seguiu a norma comum de redistribuição, o que gerou críticas da defesa de Frias. Eles argumentam que a escolha do juiz não deveria depender do envelope em que o pedido foi protocolado.
Contexto e Precedentes
A defesa de Mário Frias sugere que o tratamento dado à ADPF 854 é semelhante ao inquérito das fake news, onde questões como a escolha do juiz foram contestadas em favor da escolha de um juiz natural. Além disso, o caso relembra a decisão do Supremo sobre a Lava Jato, onde a concentração de casos foi considerada imprópria.
Com o pedido, a defesa visa garantir que a investigação prossiga, mas sob a supervisão de Mendonça, que foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021, enquanto Dino foi nomeado por Lula em 2023. Essa dinâmica acentua ainda mais as divisões políticas em jogo.




